A morte faz parte da condição de estar vivo. Mas numa era em que parece obrigatório mostrar felicidade, que tempo e espaço existem para aprender a lidar com o abismo? E que apoios existem para ajudar a atravessar o momento mais difícil da vida de alguém?
Na semana que antecede o Dia de Todos os Santos, em que o país pára para lembrar e homenagear os seus mortos, os Mantras do Coliseu Porto Ageas organizam a conversa “Amanhã é sempre longe demais”. No painel, quatro convidados partilham o seu olhar e conhecimento sobre um tema que pode ser difícil, mas que importa enfrentar:
João Perestrelo, médico psiquiatra e psicoterapeuta, autor do livro “Aprender a Andar no Escuro — Da ciência à prática de viver com menos sofrimento”, editado em 2025 pela Contraponto;
Mariana Abranches Pinto, responsável pela Associação Compassio, que trabalha responsável pela Associação Compassio, que trabalha a doença e o luto na comunidade, tendo por base a compaixão e a beleza;
Rita Alves, artista multidisciplinar, criadora do espetáculo “Geografia do Desassossego”, nascido do luto pelo filho, onde o corpo e a arte tomam o lugar da palavra;
Rui Devesa Ramos, psicólogo clínico responsável pela Unidade de Luto do Hospital Pedro Hispano, uma das poucas respostas públicas dedicadas ao luto em Portugal.
“Amanhã é sempre longe demais”, título da canção dos Rádio Macau, e mais tarde celebrizada pelos Resistência, parte do momento em que o mundo de alguém parece ter parado para sempre, ao mesmo tempo que o mundo lá fora continua e avança. Perde-se um filho, um progenitor, um companheiro, mas também a saúde, um animal de estimação, uma casa, um país, uma vida que nunca mais será igual.
Há lutos com dias contados por decreto e lutos que ninguém reconhece ou valoriza. Há lutos antecipados, que começam antes da morte, com uma notícia que traz dias a prazo, ou com o desaparecimento da pessoa que amamos, mesmo quando o corpo dela permanece.
O que fazer com a avalanche de sentimentos? Como lidar com situações extremas e quando pedir ajuda? O que ajuda verdadeiramente quem fica, e o que, dito com a melhor das intenções, magoa? Quais as diferenças culturais ligadas ao luto e de que forma os nossos antepassados lidavam com este processo? Que apoios estão em falta? E que papel podem desempenhar a arte e a comunidade?
“Amanhã é sempre longe demais - Uma conversa sobre o Luto” é precedida do espetáculo (em versão reduzida) “Geografia do Desassossego”, de Rita Alves, criado a partir do seu processo de luto pelo filho Pedro Smith.
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.