Durante cinco intensos dias, abrimos uma pequena grande janela sobre o trabalho de Chiara Guidi – um dos nomes centrais do teatro para a infância na Europa, cofundadora da Socìetas Raffaello Sanzio –, com este espetáculo, o lançamento do seu livro-manifesto e um seminário. Buchettino é uma “fábula acústica” construída a partir do conto O Pequeno Polegar, de Charles Perrault. A artista e pedagoga italiana, que nos anos 90 criou a Scuola Sperimentale di Teatro Infantile, propõe uma rara experiência sensorial, ao sondar os elementos educacionais e catárticos da fábula através da força inventiva da imaginação. O palco transforma-se num dormitório com 50 camas, onde as crianças se deitam para ouvir a história narrada por uma atriz. De fora do espaço cénico, uma banda sonora pauta a sua voz com os sons da fábula: murmúrios do vento, o uivo dos lobos, os passos do ogre, o estalido dos ramos das árvores. A cama é o lugar do espectador, tanto um dispositivo que convida à sonolência, como uma couraça protetora quando o medo e a estranheza irrompem. Buchettino não os rejeita, abraça-os enquanto tensão e ousadia. Nesta caixa de ressonância que restitui “à palavra a sua sonoridade”, as imagens são ativadas pela escuta. E vemos “a presença que está por detrás delas”.
Durante cinco intensos dias, abrimos uma pequena grande janela sobre o trabalho de Chiara Guidi – um dos nomes centrais do teatro para a infância na Europa, cofundadora da Socìetas Raffaello Sanzio –, com este espetáculo, o lançamento do seu livro-manifesto e um seminário. Buchettino é uma “fábula acústica” construída a partir do conto O Pequeno Polegar, de Charles Perrault. A artista e pedagoga italiana, que nos anos 90 criou a Scuola Sperimentale di Teatro Infantile, propõe uma rara experiência sensorial, ao sondar os elementos educacionais e catárticos da fábula através da força inventiva da imaginação. O palco transforma-se num dormitório com 50 camas, onde as crianças se deitam para ouvir a história narrada por uma atriz. De fora do espaço cénico, uma banda sonora pauta a sua voz com os sons da fábula: murmúrios do vento, o uivo dos lobos, os passos do ogre, o estalido dos ramos das árvores. A cama é o lugar do espectador, tanto um dispositivo que convida à sonolência, como uma couraça protetora quando o medo e a estranheza irrompem. Buchettino não os rejeita, abraça-os enquanto tensão e ousadia. Nesta caixa de ressonância que restitui “à palavra a sua sonoridade”, as imagens são ativadas pela escuta. E vemos “a presença que está por detrás delas”.