A inquietação que sinto quando percorro as ruas da cidade leva-me, quase sempre, a sítios pouco habituais. Um confronto comigo próprio num território desconhecido, nas margens, nas periferias, onde ouço em diferentes camadas o som abafado do burburinho da cidade e o silêncio que é próprio desses lugares, onde a vegetação é livre para crescer desordenadamente, entre lixo urbano e ruínas abandonadas que não interessam para nada nem a ninguém. Os grandes poetas e artistas têm-me inspirado a imprimir, nas minhas imagens, a poesia que sinto quando me encontro nesses lugares de difícil acesso e que me levam a questionar-me continuamente. Como será a poesia dos marginalizados? Dos resistentes? Dos que habitam estes lugares esquecidos? A memória fotografada poderá materializar a sensibilidade da luz e as impressões que esses lugares me despertam, poderá ser vista e interpretada, poderá de alguma forma dar voz à poesia silenciada pelas armas e pela destruição?
A inquietação que sinto quando percorro as ruas da cidade leva-me, quase sempre, a sítios pouco habituais. Um confronto comigo próprio num território desconhecido, nas margens, nas periferias, onde ouço em diferentes camadas o som abafado do burburinho da cidade e o silêncio que é próprio desses lugares, onde a vegetação é livre para crescer desordenadamente, entre lixo urbano e ruínas abandonadas que não interessam para nada nem a ninguém. Os grandes poetas e artistas têm-me inspirado a imprimir, nas minhas imagens, a poesia que sinto quando me encontro nesses lugares de difícil acesso e que me levam a questionar-me continuamente. Como será a poesia dos marginalizados? Dos resistentes? Dos que habitam estes lugares esquecidos? A memória fotografada poderá materializar a sensibilidade da luz e as impressões que esses lugares me despertam, poderá ser vista e interpretada, poderá de alguma forma dar voz à poesia silenciada pelas armas e pela destruição?