Um arquivo não é tão estéril assim. Acordamos de madrugada para nos movermos a partir da memória da primeira célula. Descobrimos que o que desapareceu do antigo corpo ainda ecoa no corpo novo. A ruína é uma cauda. Num arquivo de gestos, apenas o movimento pode falar tanto pelo que se perdeu, como pelo que se preservou como fóssil. Corporificámos este arquivo, mas fomos surpreendidas pelas suas formas. Tentámos repetir os seus movimentos, mas, ao tentar traduzir estes gestos fossilizados, fizemos algo novo por acidente. Os objetos ensinaram-nos a tornar escultura, a congelar o movimento. Destruímo-las. — Sancha Meca Castro