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Para Voz, da artista Lydia Ourahmane, é uma obra criada em colaboração com a sua irmã, a compositora e música Sarah Ourahmane. Escrita para duas cantoras com deficiência visual, a composição expande-se pelo espaço triangular da Galeria Municipal do Porto. Praticamente invisível, mas percetível ao toque, a partitura está diretamente inserida nas paredes da galeria. A peça responde à arquitetura e estuda-a: a sua estrutura é inteiramente determinada pelas dimensões da galeria. Quando é ativada, cada cantora segue a partitura em Braille ao longo das paredes, movimentando-se pelo espaço à medida que a composição se desenrola.
Na notação musical em Braille, a célula de seis pontos transmite tanto a altura e o ritmo do som, como a tonalidade e a oitava em que a composição foi escrita. A partitura surge como uma linha contínua na qual notas, durações, registos de oitava, ligaduras, pausas e instruções interpretativas se sucedem sequencialmente. Ao reduzir as marcações e as instruções, a composição dá às cantoras liberdade para incluir a sua lógica interpretativa no fraseado musical. As cantoras têm por isso de memorizar os diferentes elementos da partitura e reconstruí-los através da atuação, o que introduz maior potencial para variação e incerteza, uma vez que o método de cada cantora determina a coreografia espacial da peça.
Depois de uma primeira performance, na inauguração da exposição, as cantoras Cristina Afonso e Joana Rita Santos regressam à Galeria Municipal do Porto para mais uma interpretação ao vivo de Para Voz, ato que repetem no fim de semana de encerramento no projeto, em outubro.
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Para Voz, da artista Lydia Ourahmane, é uma obra criada em colaboração com a sua irmã, a compositora e música Sarah Ourahmane. Escrita para duas cantoras com deficiência visual, a composição expande-se pelo espaço triangular da Galeria Municipal do Porto. Praticamente invisível, mas percetível ao toque, a partitura está diretamente inserida nas paredes da galeria. A peça responde à arquitetura e estuda-a: a sua estrutura é inteiramente determinada pelas dimensões da galeria. Quando é ativada, cada cantora segue a partitura em Braille ao longo das paredes, movimentando-se pelo espaço à medida que a composição se desenrola.
Na notação musical em Braille, a célula de seis pontos transmite tanto a altura e o ritmo do som, como a tonalidade e a oitava em que a composição foi escrita. A partitura surge como uma linha contínua na qual notas, durações, registos de oitava, ligaduras, pausas e instruções interpretativas se sucedem sequencialmente. Ao reduzir as marcações e as instruções, a composição dá às cantoras liberdade para incluir a sua lógica interpretativa no fraseado musical. As cantoras têm por isso de memorizar os diferentes elementos da partitura e reconstruí-los através da atuação, o que introduz maior potencial para variação e incerteza, uma vez que o método de cada cantora determina a coreografia espacial da peça.
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