Partindo de uma prática que atravessa a improvisação e a experimentação sonora, Frederica Vieira Campos propõe um diálogo com a exposição patente na galeria, criando um espaço de escuta e deriva onde os fragmentos sonoros se tornam também espelhos possíveis — reflexos abertos à subjetividade e à reinvenção.
Num eco subtil da própria exposição, cujo título deriva de um fragmento poético de Safo, este concerto convoca também a dimensão musical da poesia da autora grega, originalmente pensada para ser acompanhada pela lira. A harpa elétrica surge aqui como uma ressonância contemporânea dessa tradição antiga como prolongamento imaginativo de uma voz fragmentária que continua a atravessar o tempo.