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Porto de Alta Competição
Gonçalo Nunes caiu, reergueu-se e chegou onde sempre quis: é hoje campeão nacional de taekwondo
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Porto Alta Competicao Goncalo Nunes

Fevereiro 2026

Gonçalo Nunes é atleta de taekwondo e teve uma das melhores épocas de sempre em 2025. Conquistou os títulos a que se propôs e conseguiu subir no ranking nacional desta modalidade. Aos 24 anos, é um dos nomes a reter quanto ao futuro da modalidade, com objetivos traçados para os próximos anos. É um dos atletas apoiados pelo Programa de Patrocínio a Atletas de Alto Rendimento e de Elevado Potencial Desportivo da Câmara do Porto nesta temporada.

A história de Gonçalo teve um início triste, mas um final feliz. Ou melhor, teve um início triste, tem um presente feliz e terá, seguramente, um futuro promissor. Mas expliquemos: quando era ainda pequeno, “quase sem idade”, os pais decidiram colocá-lo numa atividade que pudesse potenciar o seu crescimento. A escolha recaiu no karaté, uma modalidade que permitia uma evolução física considerável, um melhor aperfeiçoamento de movimentos e uma destreza que o levaria a desenvolver-se em vários aspetos. 


Mas o que parecia ser uma aventura com tudo para dar certo, rapidamente se transformou num episódio de fraca memória. “Foi uma experiência que não correu nada bem”. Gonçalo sofreu de bullying, ainda sem idade para entender o que isso era. “Eu tentava interagir com os meus colegas, mas eles não reagiam muito bem. A minha mãe conta-me que eu era colocado de lado, muitas vezes”. Lembra que, nesse tempo, “falava com os esses muito marcados e gozavam com ele pela forma como se expressava”. Mas continuava a ir, todas as semanas. Os pais estavam lá, a ver tudo, e entenderam que por ali não era o caminho. Retiraram-no desta modalidade. “Eu era uma criança muito inocente”, sorri, ao recordar esses anos. 

Porto Alta Competicao Goncalo Nunes

Gonçalo Nunes © DR

Hoje, aos 24 anos, Gonçalo Nunes transformou esse trauma numa circunstância normal da vida. Não fez dessa rejeição um bode expiatório. Aceitou, na sua inocência, que a vida nem sempre corre bem à primeira. Quase duas décadas depois de tudo ter acontecido, conta tudo com um largo sorriso, com a certeza de que, da adversidade, conseguiu encontrar o caminho certo para o futuro: o taekwondo. 


Poomsae como forma de expressão desportiva e artística

 

“[Este desporto] surgiu na minha vida pela mão dos meus pais, mais uma vez”, revela. Porque eles sentiam que os desportos de combate podiam ajudar a que se desenvolvesse de uma forma mais equilibrada. “Achavam que eu precisava de um ‘abanão’ e que era nestes desportos que eu conseguiria dar o desejado ‘salto’”, assume o atleta.  


Começou este renovado caminho aos sete anos: participou, desde logo, em combates de um para um, mas, uns anos depois, percebeu que o que mais gostava – e onde realmente se afirmava - era da vertente mais “artística” do taekwondo: o poomsae, uma espécie de “dança” feita de “sequências coreografadas de técnicas de ataque e defesa, simulando uma luta contra um adversário imaginário”, feita de movimentos milimetricamente estudados, onde todos os detalhes contam para que, mais do que um desporto, este momento seja encarado como um verdadeiro espetáculo.  


Movimento a movimento, foi descobrindo que é nesta linguagem individual que melhor se descobre, se (re)conhece, na forma como depende apenas de si na concretização da sequência perfeita. Treino após treino, técnica após técnica, conquista após conquista, falha após falha, os anos foram transformando um mero curioso pela modalidade num campeão com títulos conquistados – e muitas aventuras para partilhar. 

Porto Alta Competicao Goncalo Nunes

Gonçalo Nunes © DR

Como se faz um campeão 


Atualmente, Gonçalo Nunes é campeão nacional universitário nas vertentes de dan individual e de dan pares mistos (com Eduarda Alves), categorias existentes dentro do taekwondo, além de ter conseguido lugares de mérito nos campeonatos nacionais de 2023 e 2024 (com duas medalhas de ouro) e numa mão cheia de provas internacionais.  


Aliás, ainda hoje recorda a primeira prova internacional em que participou, “há oito anos, na Grécia, e que acabou por se transformar num dos momentos mais importantes”. “Tinha 15 anos, foi a minha primeira experiência fora do país e lembro-me que senti muito nervosismo [risos]. Era uma criancinha numa realidade totalmente diferente.” O desfecho não foi o melhor: conseguiu terminar todas as provas, mas com resultados que não eram aqueles que ambicionava. Mas foi aqui que nasceu a certeza de que tudo se conquista com persistência e confiança.  

Sonho para concretizar em 2026 


Com treinos diários, entre a prática do taekwondo e o necessário trabalho físico no ginásio, os horários de Gonçalo tornaram-se fundamentais para organizar um dia com cada vez mais horas contadas. “É preciso disciplina, porque só assim atingimos os nossos objetivos, que acaba por transcender a mera parte desportiva. É uma aprendizagem que passa para a nossa vida enquanto indivíduos e trabalhadores”, assegura. Até porque, diz, “sempre fu uma pessoa que quis fazer tudo. E todos sabemos que uma pessoa que quer fazer tudo não consegue ser bom em nada”.  


Foi a pensar nisso que acabou por impor novas regras à sua vida, apesar de, assume, “continuar a querer fazer tudo”. “As coisas não deixam de ser assim de um dia para o outro”, sorri. 

Atualmente, é também atleta da Seleção Nacional de Taekwondo e, nesse âmbito, procurará, em 2026, conseguir o máximo de pontos possíveis para que possa continuar a participar nas competições nacionais e internacionais desta modalidade. Este será o ano em que o sonho se pode tornar realidade. “Vai haver um Campeonato do Mundo na Coreia do Sul, terra natal do taekwondo, e gostava muito de estar presente”, revela.  


Com Gonçalo estarão vários atletas, de várias nacionalidades, vistos por um sem número de adeptos e, quem sabe, com fãs muito especiais. “Os meus pais nunca se opuseram a este sonho e têm-me acompanhado ao longo de todos estes anos. Eles foram, em parte, responsáveis por todo este percurso ascendente que tenho conseguido trilhar. Eles são mesmo os meus fãs número 1”, finaliza. “Ah, e a minha namorada, não me posso esquecer”, ri. Não o deixamos esquecer. Fica aqui escrito.   

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