O ensaísta Olivier Neveux, o encenador Romeo Castellucci e a coreógrafa Maguy Marin vêm ao Teatro Nacional São João falar-nos das suas ideias de repertório. Com este elenco de luxo, damos início a um ciclo de conferências que tem a ambição de colocar em perspetiva e tensão um conceito central ao nosso ideário e prática. O TNSJ é histórica e estatutariamente um teatro de repertório. Para nós, ele não é tanto um cânone cristalizado de obras, mas um espaço de contínua descoberta e invenção, uma fabulosa máquina de circulação da memória cultural. Partindo da sua exuberante plasticidade e transversalidade, queremos dá-lo a pensar como um conjunto de temas, ideias, textos, imagens e formas que regressam ou recorrem, sob a forma de reapropriação, reciclagem, citação, irrisão ou corrupção. Olivier Neveux, autor de Contra o Teatro Político , livro que publicámos na nossa coleção Empilhadora, vem dar-nos conta dos renovados desafios e possibilidades do teatro de repertório, esse animal ameaçado de extinção. Romeo Castellucci vem mostrar-nos a sua recente versão vídeo de Amleto (espetáculo que vimos no festival PoNTI‘97), colocando-a em relação com Bérénice (espetáculo que vamos ver em abril), duas idiossincráticas leituras cénicas de peças maiores de Shakespeare e Racine, que afirmam o repertório como um laboratório de espanto e inquietação. Maguy Marin, nome fundamental da Nova Dança Europeia, autora de May B , peça inspirada no universo literário de Samuel Beckett, vem falar-nos da sua influente obra coreográfica, no contexto de um Foco que a Fundação de Serralves lhe vai dedicar no próximo mês de novembro. Neveux, Castellucci e Marin: de que falamos quando falamos de repertório(s)? Em 2027 haverá mais.