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O São João do Porto
Shakespeare podia ter vivido aqui. Podia
ter dançado na noite de S. João, quando o rio
transborda para as ruas nas correntes
humanas que as inundam.
Excerto do poema a noite do Porto, de Nuno Júdice.
Uma multidão desordenada, alegre e exuberante a calcorrear as ruas da cidade, a cantar e a dançar êxitos da música pimba. Saudações estranhamente fraternas entre desconhecidos com martelinhos e alhos-porros na mão. Eis o São João do Porto. Já quase tudo se disse sobre este São João tripeiro, especial e único no mundo, mas, como não podia deixar de ser, a edição de junho da Agenda Porto é dedicada a ele.
Além do programa oficial das festas sanjoaninas, destacamos uma das tradições desta quadra festiva onde cabe o Porto inteiro – as Rusgas de São João. Fomos ao encontro dos “rusgeiros” das sete freguesias da cidade que, com bairrismo e alegria, se despicam para dar vivas a este Santo Popular.

Quem vai ter uma participação especial nas rusgas deste ano é Manuel Morais, mais conhecido por Rei da Alegria, artista de canções populares e uma figura querida dos portuenses, que nos abriu a porta de casa para nos falar do seu percurso de vida.
São João do Porto há um, inteiro, que também se multiplica em muitos – o de cada freguesia, o de cada rua e o de cada bairro da cidade. Selecionámos três: o São João do Bairro da Bouça, o da Rua de Anselmo Braamcamp e o da Rua Escura.
Por fim, damos a conhecer um bolo que é, ainda, desconhecido por muita gente – o Bolo de São João. Criado na primeira metade do século XX, caiu em esquecimento até que, há cerca de duas décadas, um grupo de profissionais e de confeitarias, com o apoio do historiador Hélder Pacheco e da associação que representa o sector, decidiu retomar esta tradição. Fomos até duas confeitarias da Invicta que produzem o Bolo de São João e que partilharam connosco os segredos da receita.
Bom São João!