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Porto de Alta Competição
A lesão de Mafalda Andrade ajudou a criar uma campeã em altura
Nem sempre um desaire representa um ponto final. É disso exemplo o caso da atleta de salto com vara e de corrida de velocidade que não baixou os braços e decidiu mudar o seu destino.
Porto Alta Competicao Set26

setembro 2026

Num caminho longo e nem sempre fácil, um título desportivo acaba por ser o corolário de semanas e semanas de esforço, meses e meses de preparação e anos de confiança de que é possível ser-se cada vez melhor. O ano de 2025 foi, para Mafalda Andrade, a tal “cereja” que se coloca no topo do bolo. Foi quando conquistou o ambicionado título de melhor atleta nacional com menos de 18 anos no salto com vara em pista curta, igualando o recorde pessoal de três metros.


Mas, para se chegar à tal “cereja”, foi preciso percorrer as camadas que a prepararam para ser uma verdadeira campeã. Mafalda Andrade tem hoje 18 anos, é atleta do Centro de Atletismo do Porto (CAP) e a prática desportiva sempre foi algo presente na sua vida desde pequena, “muito impulsionada pela sua mãe, que achava que ela tinha de fazer alguma coisa porque tinha demasiada energia”, admite.

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© Rui Meireles

Mal sabia a mãe que estava a criar um problema ainda maior em casa. “É verdade que sempre gostei de muita coisa”, sorri. Aliás, tanto gostava de basquetebol como de ginástica, tanto queria experimentar a patinagem como a equitação. “Ah, e até me lembro de pedir à minha mãe para ir para o circo”, solta uma gargalhada.


Mas para grandes males, grandes remédios. Mafalda ainda se lembra do ultimato lançado pela mãe. “Tens de escolher apenas uma [modalidade].” A escolha acabou por recair na ginástica artística, num clube pequeno perto de casa. “Comecei com quatro anos, mais por brincadeira, e foi aos oito que tudo se tornou um pouco mais sério.” Desse tempo recorda as primeiras competições, a flexibilidade que um corpo consegue atingir – e que desconhecia – e a energia que aprendeu a canalizar para apenas uma atividade.

Do sonho à oportunidade

“Foram 11 anos muito felizes”, recorda agora. Mas, há “cerca de três”, tudo mudou. Mafalda rasgou os ligamentos do tornozelo num exercício aparentemente simples, uma lesão que se transformou num momento de necessária viragem na carreira da jovem. “Disseram-me que iria ser um processo penoso, que a cura ia demorar, que teria de operar sem garantias de ficar bem e que iria perder muito tempo”, conta. As palavras que ouviu poderiam desmotivar qualquer atleta no lugar dela – mas ela viu ali um incentivo para procurar outro desporto. “Confesso que já não me via a evoluir na ginástica, era como se estivesse a estagnar”, acrescenta.


Essa contrariedade abriu caminho a uma nova fase na vida da atleta que, afinal, não foi assim tão nova. Até porque o atletismo já fazia parte das rotinas semanais de Mafalda, que tentava conciliar a ginástica com a corrida de velocidade. “Sempre achei interessante, comecei a ir a alguns treinos por curiosidade, sem saber bem o que esperar, e acabei por ficar.” Foi no Centro de Atletismo do Porto que tudo começou e é ainda por lá que a sua história se desenrola.

Desporto de paciência

Mafalda Andrade é, atualmente, atleta de velocidade e salto com vara. Experimentou as diferentes vertentes que o atletismo concentra, mas foi aqui que se focou. “Quando via o [Armand "Mondo"] Duplantis na televisão, queria ser como ele”, diz, aludindo aos feitos conquistados pelo campeão olímpico e mundial de salto com vara.


O CAP não tinha, há cerca de três anos, a disciplina de salto com vara. “Eu acabei por ser a primeira atleta da equipa”, orgulha-se. Ao longo dos últimos anos, foi criando uma história da modalidade na cidade, muito influenciada pelas técnicas praticadas por outros que foi vendo nos ecrãs. “O salto exige muita paciência. Há muitos treinos em que não saltamos. Faz parte do processo. Ao contrário da corrida de velocidade, em que posso fazer tempos mais rápidos ou mais lentos, na vara nem sempre é possível concretizar o exercício”, assume.


A instabilidade no pé ainda continua. “É crónica. Tenho de ter cuidado para não me colocar em situações em que possa torcer um pé, por exemplo.” Mas isso não foi impedimento para a conquista do título de melhor atleta da sua categoria. Aliás, este ano, conseguiu bater já o seu melhor recorde, um exemplo de que nem sempre um desaire é sinónimo de desistência ou um fim anunciado de uma determinada história.

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© D.R.

Mafalda Andrade é convidada da terceira temporada do podcast “Porto de Alta Competição”, projeto da Ágora – Cultura e Desporto do Porto que dá voz aos atletas apoiados pelo Programa de Patrocínio a Atletas de Alto Rendimento e Elevado Potencial Desportivo.

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