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julho/agosto 2026
Poucos terão sido os episódios recentes que pararam o nosso mundo de uma forma única. Há 32 anos, houve um dia que deixou marcas. 1 de maio de 1994. Grande Prémio de San Marino, no Circuito de Ímola, em Itália. Entrava-se na sétima volta da corrida de Fórmula 1, com a emoção característica de uma prova desta dimensão. Na frente, um dos mais promissores pilotos da modalidade, Ayrton Senna. Seguia a 200 quilómetros por hora, velocidade normal numa competição deste género. E eis que o mundo suspende a respiração. O silêncio instala-se. Ayrton perde o controlo do carro. Embate contra um muro de proteção e perde a vida. Tinha 34 anos. O mundo chorou a perda de uma estrela da velocidade e exigiu melhorias na segurança do desporto automóvel.
Mais de 30 anos depois, a adrenalina das corridas de velocidade continua a ser um elixir para atletas que que se dedicam a um desporto que tem tanto de perigoso como de desafiante. “O importante é acreditar que, quando entramos em pista, nada vai correr mal.”
O atleta Tomás Teixeira tinha 10 anos quando começou a experimentar os carros, mas sem uma influência familiar direta. “Eu não me lembro de não gostar disto [automobilismo], o que é um pouco estranho, porque o meu pai não tinha nenhuma ligação, nem a minha mãe. Acho que foi um interesse espontâneo, quase sem sentido prático”, assume.

Tomás Teixeira © DR
As primeiras memórias levam-no aos seus quatro anos e às primeiras provas que viu na televisão. E, também aí, a sensação era a mesma que hoje sente. “A adrenalina ao imaginar como seria conduzir um carro daqueles.” Aos 10 anos, surge a oportunidade de experimentar os karts e, logo ali, há quem perceba o potencial e decida apostar nele. “O meu pai ofereceu-me o primeiro kart de competição pouco depois de experimentar e senti uma felicidade imensa. Era como se fosse a minha zona de conforto, algo que não consigo explicar”, revela o jovem atleta, longe de imaginar que Ayrton Senna também começou nessa categoria.
A partir daí, tudo aconteceu em catadupa: aos 12 anos começa a participar em campeonatos de karts em Portugal. Seguiu-se, no ano seguinte, o Campeonato do Mundo da especialidade e a tão desejada confirmação desse lugar no mundo das quatro rodas.
“Claro que comecei no fundo da tabela, mas fui evoluindo aos poucos, até chegar aos lugares de topo”, assume. Tomás viu muito colegas desistirem do sonho porque o tempo nem sempre tem esse tempo que gostariam que ele tivesse. “Os resultados, muitas vezes, demoram a chegar, são lentos e requerem paciência e trabalho” porque, acrescenta, “sabemos o nosso talento, acreditamos que conseguimos fazer melhor, mas nem sempre a tabela e o campeonato nos dizem isso”.
Hoje, Tomás Teixeira tem 18 anos e há dois que trocou os veículos de 120 Kg por outros dez vezes mais pesados. Corre em circuitos maiores, internacionais, com um carro que requer outra responsabilidade - um possante Toyota GR Supra GT4 EVO2.
Alinha pela equipa Speedy Motorsport e venceu, no final do ano passado, o Caterham Motorsport Iberia, na categoria 420R. Durante esta competição, conseguiu sete vitórias e cinco pódios, assim como vários primeiros lugares na linha de partida, depois de uma promissora participação na Supercars GT4 no Autódromo Internacional do Algarve.

Tomás Teixeira © DR

Tomás Teixeira © DR
Tomás aprendeu a criar uma relação de confiança com o novo automóvel. “É como se, ao entrar no carro, ao ouvir aquele silêncio, se estabelecesse uma relação quase umbilical entre a máquina e a pessoa”, destaca.
Talvez a única mágoa que guarde seja a de já não ter o kart com que começou. “Mas é a forma natural de deixarmos que o passado fique no passado.” Cada coisa no seu tempo, guardada na memória de quem lhe dá valor.
Tomás Teixeira é convidado da terceira temporada do podcast “Porto de Alta Competição”, projeto da Ágora – Cultura e Desporto do Porto que dá voz aos atletas apoiados pelo Programa de Patrocínio a Atletas de Alto Rendimento e Elevado Potencial Desportivo.
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