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Liberdade e fraternidade dentro e fora das quatro linhas
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Douro Bats
Douro Bats

No mês em que se assinalam os 50 anos da Revolução dos Cravos, celebramos a liberdade vivida dentro de campo com a Associação Desportiva Douro Bats, criada, em 2021, na cidade do Porto. Como no poema de Camões, cantado por José Mário Branco, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades / Muda-se o ser, muda-se a confiança / Todo o mundo é composto de mudança / Tomando sempre novas qualidades.

Foi porque aconteceu o 25 Abril que é possível alguém sonhar e criar uma equipa como a Douro Bats. Para fazer parte desta equipa de futsal os requisitos são aceitar o outro tal como ele é, simpatizar com a comunidade LGBTQIA+ e gostar de desporto. Vítor Gonçalves, médico anestesista, foi o responsável pela fundação desta associação.


“Era o espaço que faltava; aqui nós aceitamos a diferença.” Cansado dos sussurros de balneário e dos silêncios constrangedores que se fazem sentir em modalidades como o futebol, em que ser homossexual ou transgénero continua a ser motivo de preconceito, Vítor decidiu criar este “espaço seguro para quem quer praticar a modalidade, independentemente do género ou orientação sexual”. Hoje, a associação já conta com mais de uma centena de atletas.

Douro Bats

Vítor Gonçalves © Rui Meireles

Douro Bats

© Nuno Miguel Coelho

É no Centro Cultural e Desportivo do Porto (CCD Porto), onde treina com a sua equipa todas as semanas, que nos fala dos objetivos dos Douro Bats. “Queremos desconstruir a ideia de que um homossexual não tem capacidade para praticar este desporto”, afirma. Vítor defende que a orientação sexual não está correlacionada com o gosto pelo desporto nem com a competência técnica. “Homens, mulheres, não binários, todos jogam bem, uns melhores do que outros”, é certo, e por isso os atletas são inseridos em diferentes níveis competitivos para se manterem motivados.


Vítor Gonçalves reflete sobre o que ainda falta mudar: “Há países em que já não é necessário existir associações como esta, mas em Portugal ainda é.” Para desconstruir o paradigma atual, a educação física nas escolas deve ter “um papel fundamental”, sustenta. Há preconceitos instalados que devem ser desfeitos. “Por que razão um rapaz não pode escolher o ballet ou a patinagem artística? Ou uma rapariga não pode jogar bem futebol? São ideias que nos limitam e que limitam as crianças; o preconceito não está nas crianças, mas, sim, nos pais.”

Em 2023, os Douro Bats organizaram a primeira edição do Bats InterCup, um torneio composto por equipas de futsal inclusivas. E querem continuar. Enquanto continuam a quebrar barreiras, os Douro Bats pretendem tornar-se uma equipa multidesportiva com novas ofertas formativas. Além do futsal e do voleibol, que arrancou em setembro de 2023, este ano será a vez do padel. Quanto aos torneios gerais, Vítor sente que ainda não é o momento de participarem. “Fomos desaconselhados por pessoas do meio”, revela. Para já, vão manter-se em torneios de futsal inclusivos, direcionados para a comunidade LGBTQIA+, onde reina o respeito mútuo e a alegria genuína de poderem assumir quem são dentro e fora do campo.

por  Maria Bastos 

Douro Bats

© Nuno Miguel Coelho

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