Em 27 de junho de 1973, um golpe de Estado instalou uma ditadura civil-militar no Uruguai, que durou até março de 1985. Cinquenta anos depois, em maio de 2023, Santiago Sanguinetti escrevia e encenava em Montevideu Zombi Manifiesto, que o FITEI agora recupera. Dois jovens descobrem que os soldados enterrados no cemitério local ganham vida como zombies quando ouvem alguém recitar excertos do Manifesto Comunista. Assim, despertam e sequestram um tenente do Exército Nacional, obrigando-o a aprender filosofia marxista. Este, ao recordar-se de quem o matou, consegue fugir e reclama justiça, post mortem. Comédia negra? Farsa irreverente? Obra profundamente política, Zombi Manifiesto evita os lugares-comuns e liberta o riso, ao mesmo tempo que traça uma crítica feroz a um sistema económico, o capitalismo, que gera mortos-vivos, afinal nós mesmos. E questiona: qual a melhor ferramenta para transformar o mundo, a correção política ou a consciência de classe? O teatro continua a ser um lugar de debate e de reflexão.