Um vulcão é uma montanha que arde.
Os tempos e movimentos quase imperceptíveis da terra encontram nos momentos espectaculares da actividade vulcânica, da explosão, da lava que corre, dos materiais piroclásticos (fogo partido em pedaços) expulsos durante uma erupção, a manifestação viva de processos de metamorfose e sedimentação que convocam encontros com ideias de sedimentação, plasticidade da matéria, estratificação, memória humana e não humana.
Um vulcão é cratera, é fogo e fissura, é elevação e rocha, é gás e nuvem. Um vulcão adormecido ou extinto é um vulcão que assinala anteriores tremores sísmicos, plumas de fumo, sopros de galerias subterrâneas, magma que assomou à superfície da crosta terrestre.
Nas vizinhanças de um vulcão as formações rochosas compõem-se de diferentes cores. Uma imensa paleta de aglomerações geológicas que revelam uma fina habitação aos pés da montanha. O chão que parece sólido oculta túneis por onde passam vento, gases perigosos e conversas. A incessante conversa da terra. Como amor que aflora à superfície do corpo, é preciso saber interpretar os sinais. Escutar os tremores harmónicos quando o magma percorre as condutas vulcânicas.
O bater de coração do vulcão convoca os artistas deste número a reflectir sobre imaginação geológica, processos de escuta, o efémero e o resistente, modalidades de formação, mutação e transformação, trazendo para este número da Wrong Wrong, abordagens à permanente novidade e erosão da própria história e memória (também) da montanha vulcão. Forjadas sob o signo de Vulcano