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Wine-Dark Sea Inauguracao
© Maria Trabulo
Wine-Dark Sea, de Maria Trabulo
Inauguração de exposição de escultura, fotografia e pintura
Wine-Dark Sea Inauguracao
© Maria Trabulo

No grego antigo não existia uma palavra única que correspondesse ao conceito moderno de "azul". Existiam, sim, termos para tonalidades específicas — como kýanos (azul-escuro e profundo) ou glaukós (azul-claro, acinzentado ou esverdeado) —, mas estes descritores captavam a cor menos como uma categoria cromática abstrata e mais como uma experiência percetiva, moldada pela variação da luz e da textura. Em vez de nomear tonalidades fixas, a língua recorria a um conjunto de termos que exprimiam qualidades como profundidade, luminosidade e intensidade, sobretudo diante de fenómenos naturais como o mar. O célebre epíteto homérico oînops póntos (mar cor-de-vinho), presente na Ilíada e na Odisseia, exemplifica esta abordagem: evoca a aparência mutável das águas — sob céus tempestuosos, ao entardecer ou na sombra —, sem nunca as fixar numa categoria cromática estável.
Nas obras de escultura, fotografia e pintura reunidas em Wine-Dark Sea, a água salgada recolhida pela artista no Mediterrâneo e no Atlântico torna-se o elemento que revela a presença cromática do oceano a partir da sua própria substância. As peças resultam de um envolvimento prolongado, entre 2014 e 2021, com comunidades de migrantes, pescadores e ativistas climáticos em Itália, na Grécia e em Portugal. A estas pessoas foi pedido que descrevessem a cor do mar a partir da sua vivência individual. A tonalidade e materialidade de cada obra corresponde diretamente a esses relatos, moldados pela memória e pela experiência de cada um.
A exposição reflete sobre o mar como um espaço que resiste a delimitações fixas — geográficas, políticas e percetivas. Este corpo de água é, ao mesmo tempo, meio de ligação e território disputado, marcado por narrativas sobrepostas: as migrações forçadas e voluntárias no Mediterrâneo, as repercussões socioeconómicas da crise da dívida no sul da Europa, as lutas contra a extração de petróleo offshore na costa atlântica. Através destes contextos estratificados, as obras interrogam a forma como as fronteiras são impostas, atravessadas ou dissolvidas num espaço partilhado.

19
Set
2026-09-19T16:00:00Z
2026-09-19T19:00:00Z
Galeria Presença
16:00

+Cal

Gratuito

6+
R. de Miguel Bombarda, 570

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Wine-Dark Sea Inauguracao

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Wine-Dark Sea Inauguracao
Gratuito
Exposição
Em Inglês

No grego antigo não existia uma palavra única que correspondesse ao conceito moderno de "azul". Existiam, sim, termos para tonalidades específicas — como kýanos (azul-escuro e profundo) ou glaukós (azul-claro, acinzentado ou esverdeado) —, mas estes descritores captavam a cor menos como uma categoria cromática abstrata e mais como uma experiência percetiva, moldada pela variação da luz e da textura. Em vez de nomear tonalidades fixas, a língua recorria a um conjunto de termos que exprimiam qualidades como profundidade, luminosidade e intensidade, sobretudo diante de fenómenos naturais como o mar. O célebre epíteto homérico oînops póntos (mar cor-de-vinho), presente na Ilíada e na Odisseia, exemplifica esta abordagem: evoca a aparência mutável das águas — sob céus tempestuosos, ao entardecer ou na sombra —, sem nunca as fixar numa categoria cromática estável.
Nas obras de escultura, fotografia e pintura reunidas em Wine-Dark Sea, a água salgada recolhida pela artista no Mediterrâneo e no Atlântico torna-se o elemento que revela a presença cromática do oceano a partir da sua própria substância. As peças resultam de um envolvimento prolongado, entre 2014 e 2021, com comunidades de migrantes, pescadores e ativistas climáticos em Itália, na Grécia e em Portugal. A estas pessoas foi pedido que descrevessem a cor do mar a partir da sua vivência individual. A tonalidade e materialidade de cada obra corresponde diretamente a esses relatos, moldados pela memória e pela experiência de cada um.
A exposição reflete sobre o mar como um espaço que resiste a delimitações fixas — geográficas, políticas e percetivas. Este corpo de água é, ao mesmo tempo, meio de ligação e território disputado, marcado por narrativas sobrepostas: as migrações forçadas e voluntárias no Mediterrâneo, as repercussões socioeconómicas da crise da dívida no sul da Europa, as lutas contra a extração de petróleo offshore na costa atlântica. Através destes contextos estratificados, as obras interrogam a forma como as fronteiras são impostas, atravessadas ou dissolvidas num espaço partilhado.

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