“Viagem a Itália” é a primeira exposição de António Júlio Duarte na galeria Lehmann.
Um dos fotógrafos portugueses mais relevantes da atualidade, António Júlio Duarte nasceu em Lisboa, em 1965, cidade onde vive e trabalha como fotógrafo e professor de fotografia.
Entre 1985 e 1989, estudou Fotografia no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, e em 1991, no Royal College of Art, em Londres, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro desde 1990, estando o seu trabalho representado em diversas coleções públicas e privadas, tanto nacionais como internacionais.
Publicou vários livros de fotografia, entre os quais se destacam Guiné-Bissau 1990 (2023), Against the Day (2019), Ensaio (2018), Japan Drug (2014) e White Noise (2011), editados pela Pierre von Kleist Editions; Ph. António Júlio Duarte (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2022); W (Antumbra Publishing House, 2021); Deviation of the Sun (Centro Cultural Vila Flor, 2013) e The Candidate (GHOST Editions, 2012). White Noise foi considerado um dos melhores livros de fotografia de 2011 por vários críticos de arte internacionais.
“As seis fotografias de Viagem a Itália apresentam-se como zonas de suspensão, onde História e experiência coexistem no mesmo plano. São imagens que resultam da sua presença num lugar, mas não procuram representar lugar nenhum. Não se nos apresentam monumentos; estas fotografias são, na sua fatal bidimensionalidade, anti-monumentos que esvaziam a herança clássica, física e figurativamente, expondo a sua condição instável. (…)
Como tantas vezes no trabalho de António Júlio Duarte, estas imagens falam talvez menos do mundo que aparentam representar do que do próprio gesto de olhar. A artificialidade que nelas se revela não funciona como denúncia, mas como chave de leitura. Procuramos nas imagens um lugar, uma personagem, um tempo identificável — uma ancoragem literal. No entanto, a fotografia, tal como a História, oferece sempre algo mais incerto: não aquilo que esteve diante da câmara, mas aquilo que escolhemos reconhecer.”
PEDRO ALFACINHA
Excerto do texto da exposição