Para Aníbal Quijano, “nada é menos racional, em última análise, do que a pretensão de que uma visão cósmica específica de uma determinada etnia deva ser tomada como racionalidade universal”.
Na mesma linha de pensamento Joël Vacheron argumenta que a exploração espacial universalizou uma visão da Terra e do cosmos que não é partilhada universalmente. Tal como as primeiras viagens transatlânticas, a invenção da máquina a vapor e a conquista do Oeste, a exploração material e a exploração do espaço exterior sempre foram historicamente enquadradas em narrativas que as apresentavam como uma expansão natural liderada por uma minoria em nome de toda a humanidade.
Ao convidar-nos a “desver” uma seleção de imagens produzidas no contexto do programa espacial americano, esta apresentação explica por que razão essa cosmovisão foi decisiva na adoção generalizada de uma visão de mundo que perpetua a colonialidade no mundo pós-colonial.
A conferência "Uma visão cósmica do capitalismo tardio" integra o programa público da exposição "Estado de espírito", de Mariana Caló e Francisco Queimadela, patente na Galeria Municipal do Porto.
Joël Vacheron é sociólogo e escritor radicado em Lisboa. É professor sénior e investigador na ECAL (Universidade de Arte e Design de Lausanne / HES-SO) em Lausanne, onde leciona antropologia visual e estudos de comunicação social. É cofundador do Centre Culturel Afropea e autor de "Cosmovisions : une étude visuelle de l’exploration spatiale" (Métis Presses, 2025).