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Termita INSECTOS
INSECTOS (ou a ferida na fronte por onde começa a estrela animal)
Exposição que reúne a obra de seis artistas com curadoria de Mafalda Ruão
Termita INSECTOS

“Era uma vez um lugar onde pássaros terríveis cantavam inspirados pela agonia dos insectos”
— Herberto Helder

Existe uma crueldade específica na beleza que nasce do sofrimento alheio. Herberto Helder nomeou-a com a precisão de quem conhece a linguagem não como ornamento, mas como ferida; e Walter Benjamin ecoou-a ao advertir que não existe documento de cultura que não seja simultaneamente documento de barbárie.

Vivemos num tempo em que essa equação se tornou obscenamente visível: as guerras transmitem-se em directo; os genocídios geram feeds; a agonia tornou-se conteúdo, e este tornou-se espectáculo até gerar
indiferença — talvez a forma mais refinada de maldade que a modernidade alguma vez produziu. Armadilha ética! Para lá dos que seguram a arma, mais numerosos são os que consomem este aparato sem agir. Não há inocência estrutural, mas uma hierarquia de aves onde todos ocupamos um lugar.

E no entanto, Mahmoud Darwish, que escreveu a partir do apagamento, recusou que a última palavra fosse dos pássaros:

“Sobre esta terra existe o que merece a vida” , dizia ele. Pensando a linguagem como um território que não pode ser bombardeado, esta exposição nasceu: questionando quem agoniza para que o canto prossiga, e a
possibilidade de uma outra forma de ver — que não se alimente da indiferença, mas que a interrompa.

INSECTOS
reúne obras de seis artistas que partem de domínios distintos para convergir numa mesma esfera de tensão: o visível e o encoberto, o enfeite e a barbárie, o jogo do poder e a possibilidade da sua recusa.
O que escolherias ver se soubesses que ver é também uma forma de decidir quem agoniza?


Obras de Carlos Barradas, Estefânia r., Attilio Fiumarella, Maria Oliveira, Bruno Silva e Virginia de Diego.

11
Set
2026-09-11T17:30:00Z
2026-09-11T10:26:04Z
Térmita

Inauguração: 11 set, 17h30

Gratuito

Largo de Mompilher, 5

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Termita INSECTOS
Gratuito
Exposição

“Era uma vez um lugar onde pássaros terríveis cantavam inspirados pela agonia dos insectos”
— Herberto Helder

Existe uma crueldade específica na beleza que nasce do sofrimento alheio. Herberto Helder nomeou-a com a precisão de quem conhece a linguagem não como ornamento, mas como ferida; e Walter Benjamin ecoou-a ao advertir que não existe documento de cultura que não seja simultaneamente documento de barbárie.

Vivemos num tempo em que essa equação se tornou obscenamente visível: as guerras transmitem-se em directo; os genocídios geram feeds; a agonia tornou-se conteúdo, e este tornou-se espectáculo até gerar
indiferença — talvez a forma mais refinada de maldade que a modernidade alguma vez produziu. Armadilha ética! Para lá dos que seguram a arma, mais numerosos são os que consomem este aparato sem agir. Não há inocência estrutural, mas uma hierarquia de aves onde todos ocupamos um lugar.

E no entanto, Mahmoud Darwish, que escreveu a partir do apagamento, recusou que a última palavra fosse dos pássaros:

“Sobre esta terra existe o que merece a vida” , dizia ele. Pensando a linguagem como um território que não pode ser bombardeado, esta exposição nasceu: questionando quem agoniza para que o canto prossiga, e a
possibilidade de uma outra forma de ver — que não se alimente da indiferença, mas que a interrompa.

INSECTOS
reúne obras de seis artistas que partem de domínios distintos para convergir numa mesma esfera de tensão: o visível e o encoberto, o enfeite e a barbárie, o jogo do poder e a possibilidade da sua recusa.
O que escolherias ver se soubesses que ver é também uma forma de decidir quem agoniza?


Obras de Carlos Barradas, Estefânia r., Attilio Fiumarella, Maria Oliveira, Bruno Silva e Virginia de Diego.

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