Podíamos começar por afirmar que este é um espetáculo sobre Heiner Müller (1929-95). Mas qual deles? Não há apenas um autor, mas vários reunidos sob esse nome. Nesta peça animada por corpos, objetos, máscaras e marionetas, criada a meias pelo Teatro de Ferro e pela Alma d’Arame, com música de Carlos Guedes, dá-se voz aos diferentes rostos do grande poeta e dramaturgo alemão. Vidro Pantera é uma visita-relâmpago aos múltiplos mundos do autor, através de “estilhaços” de peças, poemas, entrevistas, anedotas, textos teóricos e biográficos, tendo como guia principal uma das suas obras essenciais: A Máquina Hamlet. “Sou o soldado na torre do blindado, a minha cabeça está vazia debaixo do capacete, o grito sufocado debaixo das correntes. Sou a máquina de escrever.” Bem-vindos à extraordinária máquina Müller.