Se o Galo de Barcelos, o souvenir mais popular de Portugal, pudesse falar, que história contaria? Esta foi a pergunta que o dramaturgo, argumentista e ator americano Robert Schenkkan, vencedor de prémios como o Pulitzer e o Tony, se pôs, no seguimento de uma residência artística na mala voadora em 2022. Em resposta, escreveu o monólogo Cantar de Galo (Old Cock) e ofereceu-o a Jorge Andrade, que o interpreta e encena. No seu solilóquio, o Galo conta como salvou da forca um homem injustamente acusado, para depois acabar transformado num símbolo da cultura visual do Estado Novo, de um decorativismo duvidoso. A dado momento, trava-se de razões com Salazar, o inventor da ficção nacionalista de que ele próprio é uma das figuras ilustrativas. Esmaga o ditador com os seus argumentos, recuperando a vocação de protetor da liberdade dos inocentes. O olhar interessado de Schenkkan sobre a nossa história, os contornos do fascismo e da cultura que o regime inventou, libertou o canto deste velho galo, afinal mais longevo do que Salazar; deu-lhe uma voz triunfante, levou-o a Cantar de Galo.
Se o Galo de Barcelos, o souvenir mais popular de Portugal, pudesse falar, que história contaria? Esta foi a pergunta que o dramaturgo, argumentista e ator americano Robert Schenkkan, vencedor de prémios como o Pulitzer e o Tony, se pôs, no seguimento de uma residência artística na mala voadora em 2022. Em resposta, escreveu o monólogo Cantar de Galo (Old Cock) e ofereceu-o a Jorge Andrade, que o interpreta e encena. No seu solilóquio, o Galo conta como salvou da forca um homem injustamente acusado, para depois acabar transformado num símbolo da cultura visual do Estado Novo, de um decorativismo duvidoso. A dado momento, trava-se de razões com Salazar, o inventor da ficção nacionalista de que ele próprio é uma das figuras ilustrativas. Esmaga o ditador com os seus argumentos, recuperando a vocação de protetor da liberdade dos inocentes. O olhar interessado de Schenkkan sobre a nossa história, os contornos do fascismo e da cultura que o regime inventou, libertou o canto deste velho galo, afinal mais longevo do que Salazar; deu-lhe uma voz triunfante, levou-o a Cantar de Galo.