“Somos 70 000 trabalhadores das Indústrias de Carne Lennox e/ Não conseguimos viver nem mais um dia com salários tão baixos.” A história passa-se em Chicago logo após o crash bolsista de 1929. Mas podia passar-se em qualquer tempo e lugar. Esta é a história sempre inacabada dos fracos e desprotegidos diante do poder discricionário dos proprietários, patrões e especuladores. Entre uns e outros, Bertolt Brecht cria uma personagem chamada Joana Dark – inspirada na figura histórica de Jeanne d’Arc – que, animada pela fé religiosa, se junta aos trabalhadores na luta contra o desemprego e a miséria, mas que o poder rapidamente instrumentaliza a seu favor. “Não te metas em brigas terrenas/ A briga traga quem se mete nela.” Escrita entre 1929 e 1931, e estreada em palco somente em 1959, Santa Joana dos Matadouros é uma peça central do repertório de Brecht, que chega agora ao Teatro Carlos Alberto na encenação de Bruno Martins com o Teatro da Didascália.