Retroexpectativa, o nome desta exposição, emerge aqui como necessidade e não como ornamento linguístico. Não designa uma invenção caprichosa, mas um esforço de precisão conceptual perante algo que nenhum termo existente descreve inteiramente. Entre retrospectiva e expectativa, desloca-se de ambas; não é uma simples fusão, mas tensão produtiva.
Numa retrospectiva, o olhar fixa-se sobre o já-sido, enquanto inventário e síntese. Na expectativa, o olhar projecta-se para o por-vir, ainda suspenso na incerteza. Designa um movimento duplo e simultâneo que não é retorno nostálgico, nem futurabilidade utópica. É um modo de habitar o tempo como espessura, onde o passado permanece activo e o futuro respira desde o presente, ainda por concretizar. A retroexpectativa é uma atenção ao que permanece latente. Não relembra, reacende. Não idealiza, questiona. Não fecha, abre.