“A Ressurreição só acontece com a transformação das nossas vidas, do sentido das nossas feridas.”
Tolentino de Mendonça
A Páscoa é o pilar central da teologia e da devoção cristãs. Ponto culminante da vida e da missão de Cristo, é nela que a redenção e a salvação encontram a sua expressão mais poderosa, projetando a Ressurreição como símbolo de transformação e esperança, transversal a crentes e não crentes. A ideia de metamorfose espiritual atravessa de forma recorrente as narrativas evangélicas, quer numa perspetiva metafórica — através das parábolas — quer de modo mais explícito, no exemplo das próprias ações e acontecimentos da vida de Jesus. O tratamento poético-musical deste binómio transformação/salvação deu origem, na Península Ibérica dos séculos XVI e XVII, a um repertório de extraordinária riqueza e diversidade, que abarca uma grande variedade de registos, desde a elegância e solenidade das obras polifónicas em latim até à teatralidade e riqueza imagética das composições em língua vernácula.
Programa
I. Do Pecado e da Redenção
Mateo Flecha el viejo (1481 – 1553)
El fuego (ensalada a 4)
Duarte Lobo (c. 1565 – 1646)
Pater peccavi (motete a 5)
II. Do Amor Divino
Pedro de Cristo (1550 – 1618)
Ai mi Dios que causa ha sido (vilancete ao divino a 4)
Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (c. 1650)
Dexad al niño que llore (letrilha ao divino a 5)
III. Da Mulher
Pedro Escobar (c. 1465 – após 1535)
Clamabar autem (motete a 4)
Manuel Cardoso (1566 – 1650)
Aquam quam ego dabo (motete a 5)
IV. Do Triunfo de Cristo
Mateo Flecha el viejo (1481 – 1553)
La justa (ensalada a 4)
Ficha artística
Eunice Abranches d’Aguiar, soprano
Paulina Sá Machado, soprano
Patrícia Silveira, alto
Carlos Meireles, tenor
Sérgio Ramos, baixo
André Ferreira, órgão
Hugo Sanches, alaúde e direção musical