De acordo com estudos sobre a capacidade de atenção humana, acredita-se amplamente que, em média, o tempo máximo dedicado ao consumo de um “conteúdo” nos dias de hoje não ultrapassa seis segundos. Sem entrar em questionamentos sobre o tipo de regressão cultural implícita em designar tudo simplesmente como “conteúdo” — de um GIF a um filme ou a uma obra literária —, a prática de Raúl Cordero tem explorado, ao longo dos últimos vinte anos, o que significa criar arte para o ser humano contemporâneo: alguém que carece de plena capacidade de atenção e vive num estado permanente de distração, olhando constantemente para algo enquanto pensa noutra coisa. Encontrar beleza dentro dessa condição e devolvê-la, transformada em belas-artes, ao próprio ser humano que a habita constitui o tema central da sua obra.
Pinturas para bater o recorde de 6 segundos é o título da primeira exposição de Raúl Cordero na Galeria Fernando Santos, no Porto. Nessas pinturas, realizadas entre 2019 e 2024, é possível observar a sobreposição de elementos como texto, imagens e formas geométricas, todos meticulosamente executados à mão por meio de técnicas tradicionais de pintura. O resultado é um conjunto de obras que provoca uma poderosa reflexão social, preservando a beleza como valor essencial — condição necessária para a sobrevivência da nossa civilização.