O aclamado pianista José Ramón Méndez regressa à Porto Pianofest, onde já cativou o público com a sua sensibilidade poética e notável virtuosismo. Neste programa, um coral-prelúdio de Bach dá o tom — não como preâmbulo, mas como invocação que se estende até ao silêncio. O programa que então se desenrola toma a perda e a memória como tema silencioso, atravessando a Sonata Trágica de Medtner no seu núcleo sombrio e inquiridor. Poulenc traz uma mudança de espírito mercurial, e a noite encerra com a Finlândia de Sibelius, cujo grande hino carrega o peso de tudo o que veio antes. Ao longo do programa, o piano torna-se um espaço para algo próximo da oração — não litúrgica, mas profundamente pessoal.