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No âmbito do ciclo Colectivo de Poesia — Poetas a Várias Vozes, a Casa Comum recebe, no próximo 20 de outubro, às 21h30, a sessão dedicada à poeta Natércia Freire.
“Como homenagear uma vida dedicada à poesia? Como retribuir uma vida manifestada em poesia? Como tornar viva, para além do abraço de esquecimento que a memória traz, uma vida que viveu, imersa, na poesia e no mistério que encerrava?”
Eis as inquietações plasmadas na nota de apresentação de O Livro de Natércia, uma edição da Quasi do início do século, destinado a homenagear Natércia Freire, poeta nascida em Benavente no final de Outubro de 1919, e um nome importante da poesia do século XX, que viria a partilhar o Prémio Nacional de Poesia com David Mourão-Ferreira.
Atravessou o Estado Novo, mas seguiu sempre: “Livre, liberta em pedra,/voltada para a luz/e para o mar azul/e para o mar revolto…”
Orientou durante mais de 20 anos o suplemento de artes e letras do Diário de Notícias, tornando-se uma das primeiras mulheres jornalistas literárias, papel que lhe permitiu conhecer a fundo e dialogar ativamente com os poetas do seu tempo.
A poesia de Natércia Freire apresenta uma matriz predominantemente introspetiva, por vezes confessional, marcada pela reflexão sobre a condição humana, a transitoriedade da existência e a permanente busca de sentido. Explora a complexidade das relações humanas, a tensão entre memória e esquecimento, permanência e mudança, e a beleza frequentemente impercetível do quotidiano.
Mas é na capacidade de transcender o imediato, interrogando a fragilidade, as contradições e as possibilidades da existência, que a sua poética adquire uma dimensão singular. Da experiência individual emerge uma interrogação universal, capaz de atravessar o tempo sem perder a sua força. Aí reside a sua intemporalidade.
Infelizmente, a revolução que instituiu a liberdade que ela cantou, acabou por a votar ao ostracismo e a um isolamento que não merecia.
Talvez por isso, importa resgatar a memória de Natércia ao cinzento de um tempo que lhe foi dado a habitar, para que se cumpram as suas palavras:
“É preciso calar o arco e a corrente
E ser nesta varanda um pouco só de cor.”
Realizado sempre a cada terceira terça-feira do mês, este encontro convida o público a descobrir e revisitar a obra das vozes marcantes da poesia de língua portuguesa, através de leituras partilhadas e de uma celebração coletiva da palavra poética.
Dia 20 de outubro, terceira terça-feira do mês, o Colectivo de Poesia celebrará a poesia de Natércia Freire.
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No âmbito do ciclo Colectivo de Poesia — Poetas a Várias Vozes, a Casa Comum recebe, no próximo 20 de outubro, às 21h30, a sessão dedicada à poeta Natércia Freire.
“Como homenagear uma vida dedicada à poesia? Como retribuir uma vida manifestada em poesia? Como tornar viva, para além do abraço de esquecimento que a memória traz, uma vida que viveu, imersa, na poesia e no mistério que encerrava?”
Eis as inquietações plasmadas na nota de apresentação de O Livro de Natércia, uma edição da Quasi do início do século, destinado a homenagear Natércia Freire, poeta nascida em Benavente no final de Outubro de 1919, e um nome importante da poesia do século XX, que viria a partilhar o Prémio Nacional de Poesia com David Mourão-Ferreira.
Atravessou o Estado Novo, mas seguiu sempre: “Livre, liberta em pedra,/voltada para a luz/e para o mar azul/e para o mar revolto…”
Orientou durante mais de 20 anos o suplemento de artes e letras do Diário de Notícias, tornando-se uma das primeiras mulheres jornalistas literárias, papel que lhe permitiu conhecer a fundo e dialogar ativamente com os poetas do seu tempo.
A poesia de Natércia Freire apresenta uma matriz predominantemente introspetiva, por vezes confessional, marcada pela reflexão sobre a condição humana, a transitoriedade da existência e a permanente busca de sentido. Explora a complexidade das relações humanas, a tensão entre memória e esquecimento, permanência e mudança, e a beleza frequentemente impercetível do quotidiano.
Mas é na capacidade de transcender o imediato, interrogando a fragilidade, as contradições e as possibilidades da existência, que a sua poética adquire uma dimensão singular. Da experiência individual emerge uma interrogação universal, capaz de atravessar o tempo sem perder a sua força. Aí reside a sua intemporalidade.
Infelizmente, a revolução que instituiu a liberdade que ela cantou, acabou por a votar ao ostracismo e a um isolamento que não merecia.
Talvez por isso, importa resgatar a memória de Natércia ao cinzento de um tempo que lhe foi dado a habitar, para que se cumpram as suas palavras:
“É preciso calar o arco e a corrente
E ser nesta varanda um pouco só de cor.”
Realizado sempre a cada terceira terça-feira do mês, este encontro convida o público a descobrir e revisitar a obra das vozes marcantes da poesia de língua portuguesa, através de leituras partilhadas e de uma celebração coletiva da palavra poética.
Dia 20 de outubro, terceira terça-feira do mês, o Colectivo de Poesia celebrará a poesia de Natércia Freire.
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