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Morto, Matado, Morrido
Diogo Potes
Morto, Matado, Morrido, de Diogo Potes
Exposição de pintura
Morto, Matado, Morrido
Diogo Potes

Há coisas que morrem. Outras que matamos. Outras ainda que julgávamos mortas até percebermos que continuavam, de alguma maneira, a viver connosco e a verter por nós. Morto, Matado, Morrido parte dessa estranha abundância da língua portuguesa: três formas tão próximas de dizer o fim e, ainda assim, três maneiras diferentes de lá chegar, de lidar com aquilo que acaba e com o que permanece depois.


Na sua segunda exposição a solo, Diogo Potes atravessa precisamente esse território pouco arrumado onde a vida muda de estado. 10 pinturas aproximam-se de relações, desejo, ansiedade, exaustão, isolamento e momentos de uma pujança quase invencível através de uma lógica que nunca sabemos inteiramente se pertence ao sonho ou à memória. Ou a um medo persistente, quase paralisante. Talvez seja um sonho demasiado vívido a denunciar a realidade; talvez seja a realidade que, depois de atravessada corpo adentro, regressa reimaginada como sonho. É nessa ambiguidade que momentos muito simples vibram, pesam, assombram e excitam.


A morte entra. Ou paira. Por vezes assume corpo e personagem; noutras é apenas uma presença fora de campo, a brincar, à espreita. Não necessariamente a morte física, mas a de uma relação, de uma expectativa, de uma versão de nós próprios, de alguma coisa que precisou de terminar para outra poder continuar. Há aqui essa silenciosa ginástica da adultez entre aquilo que conseguimos carregar em frente e aquilo que, para continuarmos, deixamos inevitavelmente suspenso dentro de nós.


Na imagética indisciplinada de Potes, corpos, rostos, objetos e uma inocência atravessada por acidez convivem com cor, humor e uma escuridão profundamente punk. O óleo fixa e intensifica esse segundo anterior à decisão: sobrepõe, interrompe, distorce, como se a pintura tivesse de partir o espelho para conseguir olhar para ele. A memória permanece acessível, mas já não intacta; a emoção ganha matéria suficiente para poder ser observada de fora.


Morto, Matado, Morrido
vive precisamente nessa tensão entre vida e morte, entre aquilo que se perde quando crescemos, o que deliberadamente deixamos para trás e aquilo que regressa quando julgávamos resolvido. Há finais que acontecem e outros que escolhemos. Alguns libertam. Outros continuam a assombrar. E há coisas que, mesmo mortas, matadas, morridas, ainda têm qualquer coisa para nos dizer.

19
Set
10
Out
2026-09-19T16:00:00Z
2026-10-10T19:00:00Z
Viga Galeria

Inauguração: 19 set, 16h00–21h00

Visitas: ter a qui 15h00–19h00 sex a dom 12h00–19h00


Gratuito

R. de Oliveira Monteiro, 149

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Morto, Matado, Morrido

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Morto, Matado, Morrido
Gratuito
Exposição

Há coisas que morrem. Outras que matamos. Outras ainda que julgávamos mortas até percebermos que continuavam, de alguma maneira, a viver connosco e a verter por nós. Morto, Matado, Morrido parte dessa estranha abundância da língua portuguesa: três formas tão próximas de dizer o fim e, ainda assim, três maneiras diferentes de lá chegar, de lidar com aquilo que acaba e com o que permanece depois.


Na sua segunda exposição a solo, Diogo Potes atravessa precisamente esse território pouco arrumado onde a vida muda de estado. 10 pinturas aproximam-se de relações, desejo, ansiedade, exaustão, isolamento e momentos de uma pujança quase invencível através de uma lógica que nunca sabemos inteiramente se pertence ao sonho ou à memória. Ou a um medo persistente, quase paralisante. Talvez seja um sonho demasiado vívido a denunciar a realidade; talvez seja a realidade que, depois de atravessada corpo adentro, regressa reimaginada como sonho. É nessa ambiguidade que momentos muito simples vibram, pesam, assombram e excitam.


A morte entra. Ou paira. Por vezes assume corpo e personagem; noutras é apenas uma presença fora de campo, a brincar, à espreita. Não necessariamente a morte física, mas a de uma relação, de uma expectativa, de uma versão de nós próprios, de alguma coisa que precisou de terminar para outra poder continuar. Há aqui essa silenciosa ginástica da adultez entre aquilo que conseguimos carregar em frente e aquilo que, para continuarmos, deixamos inevitavelmente suspenso dentro de nós.


Na imagética indisciplinada de Potes, corpos, rostos, objetos e uma inocência atravessada por acidez convivem com cor, humor e uma escuridão profundamente punk. O óleo fixa e intensifica esse segundo anterior à decisão: sobrepõe, interrompe, distorce, como se a pintura tivesse de partir o espelho para conseguir olhar para ele. A memória permanece acessível, mas já não intacta; a emoção ganha matéria suficiente para poder ser observada de fora.


Morto, Matado, Morrido
vive precisamente nessa tensão entre vida e morte, entre aquilo que se perde quando crescemos, o que deliberadamente deixamos para trás e aquilo que regressa quando julgávamos resolvido. Há finais que acontecem e outros que escolhemos. Alguns libertam. Outros continuam a assombrar. E há coisas que, mesmo mortas, matadas, morridas, ainda têm qualquer coisa para nos dizer.

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