Kheper Moon, Soda Cáustica e Três ao Acaso são os três trios que nasceram da residência Misturadora 1.0 organizada pelo festival Basqueiral. No final do ano passado este projeto desafiou músicos provenientes de universos musicais o mais distintos possível entre si, maioritariamente residentes em Santa Maria da Feira e nos concelhos limítrofes, a tocar e compor num curto período de tempo. As bandas estrearam-se ao vivo no dia 27 de dezembro no Museu de Lamas e agora apresentam-se pela segunda vez em exclusivo no Radioclube Agramonte.
Numa sonoridade mais rock, Três ao Acaso e Soda Cáustica apresentam abordagens bastante distintas. Os primeiros têm por base poemas de Filipa Pinho, poetisa cucujanense cujas obras são declamadas ou cantadas por Miguel Flores, vocalista e guitarrista da banda, e que são acompanhados de um instrumental incessante e envolvente. Os restantes integrantes são o baterista Pedro Lopes e o baixista Afonso Castro, membro dos BATISKAF. Os segundos apresentam composições instrumentais com espaço para improvisação. A sua sonoridade bebe de influências diversas, desde o pós-rock ao indie e, no que toca à percussão, passando também pela música tradicional portuguesa, árabe e brasileira. A banda encontra um lugar comum entre as inspirações de cada membro de forma bastante intuitiva e orgânica, o que se reflete na ligação entre músicas e secções, sem pausas e com um fio condutor constante. O trio é composto por Rui Santos (Cat Soup, tédio fc, Bug Snapper) na guitarra, Daniel Cardoso no baixo e Márcia Cardoso na bateria e na percussão.
Os Kheper Moon, formados por Anja Calas na voz e na eletrónica, Manuel Guerra nas teclas e Pedro Lopes (Summer of Hate, Jabspin, odd bounds) na bateria, apresentam uma sonoridade experimental que vai do jazz ao noise. Com drones espaciais, bateria crua e teclas em esteroides desenham paisagens em suspensão. Há um voo lento, entre o peso da terra e a vertigem do espaço, algo muito denso que provoca um movimento de atravessar planos etéreos.