Truz truz. Vamos abrir as portas da percepção e interrogar o real. Ficaremos em unidade com tudo o que nos rodeia e aceitaremos todas as alucinações e distorções cognitivas! Através de narcóticos, tecnologia ou arte perseguiremos a transcendência a caminho de paraísos artificiais. Mas serão estes, libertação ou armadilha? Os estados alterados de consciência tanto podem ser visionários como patológicos, e se o delírio tem um lado romântico, importa reconhecer o trauma e a vulnerabilidade. Por outro lado, discutem-se os benefícios dos psicadélicos para a saúde mental, em terapias de laboratório com shamans de bata branca. Já a música é pródiga em promover o transe, em construir e reconstruir o modo como o tempo flui, é o domínio do sonho, do espiritual, do ritual que altera a consciência em grupo, cantos sagrados, ritmo e repetição. Hoje os psicotrópicos vão sempre no bolso, os ecrãs são os principais meios de dissociação sensorial, o transe está no scroll infinito. Mas não será antes o vazio de estímulos o maior alucinogénico, e o silêncio a sua dimensão mais subversiva?
Eureka! – eventos comunitários e exploratórios sob a forma de um micro-festival que tem lugar numa tarde de domingo, no Espaço Porta-Jazz, com performances, oficinas e apresentações/conversas orientadas por convidados de relevo, tudo sob égide de um tema único a cada sessão. Pretende-se suscitar a reflexão, o debate, a colaboração, a inspiração mútua, a ligação à academia, à ciência, à economia, o florescimento das artes, juntando participantes e público, em ambiente informal, com lugar a convívio, comes e bebes.