Em junho, as Leituras no Mosteiro estão de parabéns: completam 16 anos bem preenchidos. Mas há mais motivos para celebrar. Com esta sessão na ESMAE, conclui-se a digressão pelas escolas artísticas do Porto (foram seis meses fora de portas) e encerra-se o ciclo dedicado a textos de repertório ligados à programação do Teatro São João e Teatro Carlos Alberto, entre 1974 e 1992. O texto que vamos ler é Filoctetes, de Heiner Müller, que o Teatro da Rainha apresentou no Carlos Alberto, em 1987. Uma versão moderna da tragédia clássica de Sófocles, sem deuses nem as tradicionais questões de honra, apenas seres humanos diante das suas contradições: “Não chames pelos deuses, vives com os homens.” Publicada em 1965, a peça põe em cena três personagens – Ulisses, Neoptólemo e Filoctetes – que, segundo o próprio autor, correspondem a três atitudes perante a história e a política: “Ulisses é o pragmático, Neoptólemo, o inocente, e Filoctetes, a vítima.” Vamos ler? “O meu ouvido tem fome de uma outra voz.”
O convidado é o dramaturgo, professor e tradutor Francisco Luís Parreira.