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Extemporânea
Design © Marta Filipe
Extemporânea
Performances e instalações
Extemporânea
Design © Marta Filipe

Extemporânea é um projeto organizado pelo Balleteatro, com curadoria colaborativa de Flávio Rodrigues, Isabel Barros, Jorge Gonçalves e Né Barros. Desenvolve, com periodicidade anual, um programa de performances e/ou instalações performativas, convocando artistas a articular as suas práticas com a conjuntura social, económica e política inerente ao local de cada edição. Extemporânea propõe expandir as noções de coreografia e de performatividade para diferentes contextos sociais e geográficos na cidade do Porto. A partir de uma abordagem crítica e discursiva, convida artistas a experimentar formatos de apresentação e modos de receção da audiência, interrogando a experiência espácio-temporal e o espectro de possibilidades entre participação e contemplação do público.

A quarta edição de Extemporânea acontece a 11 de julho de 2026 na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. A grande escala das suas infraestruturas, pavilhões, pistas, campos e corredores concebidos para conter e intensificar o esforço, desenha uma arquitetura simultaneamente de excesso e de contenção, onde o corpo é organizado por regimes de repetição, medida e rendimento. Neste lugar, a codificação científica do gesto e a quantificação do desempenho coexistem com uma memória técnica feita de marcas, máquinas e ritmos que atravessam décadas. Extemporânea vem habitá-lo de outro modo, deixando que as suas lógicas entrem em contacto com outras durações, outras formas de atenção, outras maneiras de estar num corpo. Entre treino e ritual, entre disciplina e falha, entre norma e a sua interrupção, abre-se um espaço onde artistas e público são convidados a ensaiar modos de presença que esta arquitetura não previu, mas que ela, precisamente pela sua escala e pela sua estranheza, torna possíveis.


Banho Maria
Carminda Soares e Margarida Montenÿ
Banho Maria instala-se num balneário: lugar de passagem, de preparação ou recuperação. Entre vapor e humidade, dois corpos aproximam-se até perderem contorno, como duas matérias em lenta fusão. Habitado por respirações amplificadas, reverberação e silêncios prolongados, o espaço torna-se arquitetura húmida entre intimidade e exposição, onde os gestos insistem, repetem-se e desfazem-se, numa oscilação contínua entre simbiose e colapso.
O balneário torna-se espaço de suspensão onde os corpos escorrem para fora da performance social e entram num estado mais cru e difuso.

Aviso ao público: Esta performance inclui momentos com níveis sonoros elevados.
(lotação limitada)


Vai e Volta
Gabriel Cruz e Tiago Pinho
Num espaço dividido por fronteiras invisíveis, duas personas coexistem lado a lado, presos à constante comparação entre aquilo que são e aquilo que o outro aparenta ter. Cada um ocupa a sua própria pegada, o seu território, mas a vontade de alcançar o espaço do outro transforma-se numa competição silenciosa marcada pela inveja, rivalidade e desejo de superação.
Inspirado no universo desportivo e na tensão entre equipas rivais, o dueto desenvolve-se através de uma linguagem física intensa, onde os corpos se desafiam, bloqueiam e impulsionam mutuamente


META
Ivo Saraiva e Silva e Ricardo Teixeira
META parte da figura do artista enquanto atleta submetido a um regime contínuo de desempenho. Duas figuras ocupam uma pista de corrida e entregam-se a exercícios de esforço que transportam o desporto para o campo da experiência estética e performativa.
O culto de um corpo saudável e rentável exige uma disciplina constante: treinam-se os músculos, os desejos e o ego. Cada gesto torna-se construção; cada ação, uma tentativa de legitimar uma presença. Tudo é exercício. Tudo é performance. Tudo é uma construção que legitima o contexto.
Ao explorar os limites do próprio corpo, META aproxima-se das lógicas contemporâneas de autoexploração, onde a superação pessoal se confunde com mecanismos de produtividade e controlo. A pista transforma-se, assim, num espaço de repetição, resistência e desgaste, onde o movimento incessante revela tanto uma procura de potência como a impossibilidade de sair da corrida.

11
Jul
2026-07-11T17:00:00Z
2026-07-11T19:00:00Z
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
17:00

+Cal

Gratuito

Rua Dr. Plácido Costa, 91

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Extemporânea
Gratuito
Dança

Extemporânea é um projeto organizado pelo Balleteatro, com curadoria colaborativa de Flávio Rodrigues, Isabel Barros, Jorge Gonçalves e Né Barros. Desenvolve, com periodicidade anual, um programa de performances e/ou instalações performativas, convocando artistas a articular as suas práticas com a conjuntura social, económica e política inerente ao local de cada edição. Extemporânea propõe expandir as noções de coreografia e de performatividade para diferentes contextos sociais e geográficos na cidade do Porto. A partir de uma abordagem crítica e discursiva, convida artistas a experimentar formatos de apresentação e modos de receção da audiência, interrogando a experiência espácio-temporal e o espectro de possibilidades entre participação e contemplação do público.

A quarta edição de Extemporânea acontece a 11 de julho de 2026 na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. A grande escala das suas infraestruturas, pavilhões, pistas, campos e corredores concebidos para conter e intensificar o esforço, desenha uma arquitetura simultaneamente de excesso e de contenção, onde o corpo é organizado por regimes de repetição, medida e rendimento. Neste lugar, a codificação científica do gesto e a quantificação do desempenho coexistem com uma memória técnica feita de marcas, máquinas e ritmos que atravessam décadas. Extemporânea vem habitá-lo de outro modo, deixando que as suas lógicas entrem em contacto com outras durações, outras formas de atenção, outras maneiras de estar num corpo. Entre treino e ritual, entre disciplina e falha, entre norma e a sua interrupção, abre-se um espaço onde artistas e público são convidados a ensaiar modos de presença que esta arquitetura não previu, mas que ela, precisamente pela sua escala e pela sua estranheza, torna possíveis.


Banho Maria
Carminda Soares e Margarida Montenÿ
Banho Maria instala-se num balneário: lugar de passagem, de preparação ou recuperação. Entre vapor e humidade, dois corpos aproximam-se até perderem contorno, como duas matérias em lenta fusão. Habitado por respirações amplificadas, reverberação e silêncios prolongados, o espaço torna-se arquitetura húmida entre intimidade e exposição, onde os gestos insistem, repetem-se e desfazem-se, numa oscilação contínua entre simbiose e colapso.
O balneário torna-se espaço de suspensão onde os corpos escorrem para fora da performance social e entram num estado mais cru e difuso.

Aviso ao público: Esta performance inclui momentos com níveis sonoros elevados.
(lotação limitada)


Vai e Volta
Gabriel Cruz e Tiago Pinho
Num espaço dividido por fronteiras invisíveis, duas personas coexistem lado a lado, presos à constante comparação entre aquilo que são e aquilo que o outro aparenta ter. Cada um ocupa a sua própria pegada, o seu território, mas a vontade de alcançar o espaço do outro transforma-se numa competição silenciosa marcada pela inveja, rivalidade e desejo de superação.
Inspirado no universo desportivo e na tensão entre equipas rivais, o dueto desenvolve-se através de uma linguagem física intensa, onde os corpos se desafiam, bloqueiam e impulsionam mutuamente


META
Ivo Saraiva e Silva e Ricardo Teixeira
META parte da figura do artista enquanto atleta submetido a um regime contínuo de desempenho. Duas figuras ocupam uma pista de corrida e entregam-se a exercícios de esforço que transportam o desporto para o campo da experiência estética e performativa.
O culto de um corpo saudável e rentável exige uma disciplina constante: treinam-se os músculos, os desejos e o ego. Cada gesto torna-se construção; cada ação, uma tentativa de legitimar uma presença. Tudo é exercício. Tudo é performance. Tudo é uma construção que legitima o contexto.
Ao explorar os limites do próprio corpo, META aproxima-se das lógicas contemporâneas de autoexploração, onde a superação pessoal se confunde com mecanismos de produtividade e controlo. A pista transforma-se, assim, num espaço de repetição, resistência e desgaste, onde o movimento incessante revela tanto uma procura de potência como a impossibilidade de sair da corrida.

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