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“Porto no limiar da existência, onde os fantasmas ocupam o lugar dos vivos”
Esta frase não é uma metáfora solta, é o diagnóstico de um processo em curso. Cidade Fantasma dá continuidade ao trabalho iniciado em 2019 com Demolição Social, projeto que ancorava a sua reflexão na premissa: “Porto. Porto cidade em processo de demolição social onde a gentrificação é lei e o fachadismo é moda”. O que na altura se anunciava como uma tendência agressiva de descaracterização urbana, hoje revela-se como uma realidade consolidada de esvaziamento existencial.
A presente série fotográfica mostra manchas humanas que percorrem todos os espaços sem permanecer em nenhum. Não se trata de uma cidade em transição, mas de uma cidade suspensa no limiar da sua própria existência. A cidade transformada em território hostil para quem sempre viveu nela, trocando habitantes por ocupantes temporários sem raiz, autênticos fantasmas. Os lugares que outrora pertenciam à comunidade, as lojas, os bares, os mercados, os cafés, as tascas, os restaurantes estão agora reféns da imparável customização promovida pela indústria do turismo, normalizando tudo em espaços que podiam estar em qualquer destino turístico ocidental, na sua rotatividade vazia de vínculo, onde já não cabem bancos de jardim. Visitantes temporários, alojamentos locais, fachadas preservadas como cenografia e interiores descaracterizados compõem o regime visual de uma cidade que se tornou refém da sua própria imagem de marca.
Cidade Fantasma não documenta ruínas materiais, mas sim uma ruína social. Cada imagem procura tornar visível o que a retórica do progresso insiste em ocultar: quando a especulação dita o ritmo da cidade, o preço a pagar é o da perda da identidade.
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“Porto no limiar da existência, onde os fantasmas ocupam o lugar dos vivos”
Esta frase não é uma metáfora solta, é o diagnóstico de um processo em curso. Cidade Fantasma dá continuidade ao trabalho iniciado em 2019 com Demolição Social, projeto que ancorava a sua reflexão na premissa: “Porto. Porto cidade em processo de demolição social onde a gentrificação é lei e o fachadismo é moda”. O que na altura se anunciava como uma tendência agressiva de descaracterização urbana, hoje revela-se como uma realidade consolidada de esvaziamento existencial.
A presente série fotográfica mostra manchas humanas que percorrem todos os espaços sem permanecer em nenhum. Não se trata de uma cidade em transição, mas de uma cidade suspensa no limiar da sua própria existência. A cidade transformada em território hostil para quem sempre viveu nela, trocando habitantes por ocupantes temporários sem raiz, autênticos fantasmas. Os lugares que outrora pertenciam à comunidade, as lojas, os bares, os mercados, os cafés, as tascas, os restaurantes estão agora reféns da imparável customização promovida pela indústria do turismo, normalizando tudo em espaços que podiam estar em qualquer destino turístico ocidental, na sua rotatividade vazia de vínculo, onde já não cabem bancos de jardim. Visitantes temporários, alojamentos locais, fachadas preservadas como cenografia e interiores descaracterizados compõem o regime visual de uma cidade que se tornou refém da sua própria imagem de marca.
Cidade Fantasma não documenta ruínas materiais, mas sim uma ruína social. Cada imagem procura tornar visível o que a retórica do progresso insiste em ocultar: quando a especulação dita o ritmo da cidade, o preço a pagar é o da perda da identidade.
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