A nova obra orquestral de Hèctor Parra detém-se sobre o grande legado do pintor surrealista Joan Miró, o ciclo Constelações: pinturas feitas sobre papel, por volta de 1940, num contexto aterrador em que o fascismo dominava Espanha e conquistava a Europa. São três peças que navegam entre a angústia do futuro incerto e a necessidade de afirmação. Outra arte, a poesia, deu origem ao ciclo Rückert-Lieder de Mahler, composto no início do século XX. Na voz premiada da meio-soprano Eva Zaïcik, a Sinfónica percorre esta obra plena de lirismo, exemplar do melhor que se escreveu para voz e orquestra. O programa completa-se com uma partitura essencial do século passado, a Sinfonia n.º 10 de Chostakovitch, oscilando entre sombras e agitação, sugerindo ora paisagens devastadas, ora liberdade triunfal.