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Catarina Branco foi forjada no ferro num deserto à beira-mar plantado, talvez por isso ela seja mais permeável ao frio e ao vazio do inverno do que à cor e ao calor do verão. É a vida na zona fluvial do Oeste, um local tão capaz de ser agreste quanto prazeroso, quase nunca nas doses desejadas. E é possível que venha daí a sua pintura de palhaça a preto e branco, onde o vermelho e outras cores típicas não entram: imagem de Acordava Cansada, o segundo longa duração que sucede Vida Plena (2022), e os singles e EPs que tem vindo a lançar desde 2018. É um visual gótico náutico, uma pintura que desbota para a música.
Depois dos soalheiros conjuntos de canções originais (’Tá Sol e Vida Plena) que o antecedem, chega agora o denso e neblinoso Acordava Cansada. Canções começadas no preto e branco do piano, concretizadas no dramatismo e melancolia que o contraste da maquilhagem invoca.
BCC surge em 2019, no Porto, como um encontro casual às sextas-feiras, numa sala de betão no Brasília, para fazer barulho e libertar a frustração do trabalho em call center. Em 2020, quando essas sessões já começavam a gerar recorrência de melodias, Sara Azul — guitarra —, badsá — voz — e Luke Redmond — bateria — juntam-se a Rui Fonseca (800 Gondomar) no baixo, formando a primeira configuração da banda. Com o início da pandemia, lançam uma gravação de ensaio da primeira peça numa conta de SoundCloud entretanto perdida. Pouco depois, Luke deixa de viver no Porto e Vanessa Lonau, bailarina, assume a bateria com o apoio de Rui, numa lógica de experimentação e aprendizagem. É esta formação que grava BCC e o lança em formato cassete e digital, em fevereiro de 2022. Já com um carácter flexível e fluido, a banda volta a trocar de baterista — mais ou menos aquando do seu primeiro lançamento — com a saída de Vanessa, que se muda para Lisboa, e a entrada de José Stark (Duques do Precariado). Em 2023, depois de alguns concertos do EP — e quando começavam a imaginar o LP que sairá este ano, baixa psiquiátrica — Rui Fonseca sai do projeto e Luís Barreto (MonchMonch, OTDA) assume o baixo. Sempre sediados no Porto e mantendo o Brasília como espaço de ensaio, os bcc funcionam em flutuação com trabalhos a tempo inteiro, agendas freelance e as nuances de uma criação coletiva sem forma imposta, mutável. Desde 2022, apresentam-se um pouco por todo o país, em festivais, salas e eventos de benefício (Zigur Fest, ZDB, Clube B.leza, Damas, Maus Hábitos, Musicbox, SHE, CAAA Guimarães, Mavy, CAEP, RUM, entre outros).
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Catarina Branco foi forjada no ferro num deserto à beira-mar plantado, talvez por isso ela seja mais permeável ao frio e ao vazio do inverno do que à cor e ao calor do verão. É a vida na zona fluvial do Oeste, um local tão capaz de ser agreste quanto prazeroso, quase nunca nas doses desejadas. E é possível que venha daí a sua pintura de palhaça a preto e branco, onde o vermelho e outras cores típicas não entram: imagem de Acordava Cansada, o segundo longa duração que sucede Vida Plena (2022), e os singles e EPs que tem vindo a lançar desde 2018. É um visual gótico náutico, uma pintura que desbota para a música.
Depois dos soalheiros conjuntos de canções originais (’Tá Sol e Vida Plena) que o antecedem, chega agora o denso e neblinoso Acordava Cansada. Canções começadas no preto e branco do piano, concretizadas no dramatismo e melancolia que o contraste da maquilhagem invoca.
BCC surge em 2019, no Porto, como um encontro casual às sextas-feiras, numa sala de betão no Brasília, para fazer barulho e libertar a frustração do trabalho em call center. Em 2020, quando essas sessões já começavam a gerar recorrência de melodias, Sara Azul — guitarra —, badsá — voz — e Luke Redmond — bateria — juntam-se a Rui Fonseca (800 Gondomar) no baixo, formando a primeira configuração da banda. Com o início da pandemia, lançam uma gravação de ensaio da primeira peça numa conta de SoundCloud entretanto perdida. Pouco depois, Luke deixa de viver no Porto e Vanessa Lonau, bailarina, assume a bateria com o apoio de Rui, numa lógica de experimentação e aprendizagem. É esta formação que grava BCC e o lança em formato cassete e digital, em fevereiro de 2022. Já com um carácter flexível e fluido, a banda volta a trocar de baterista — mais ou menos aquando do seu primeiro lançamento — com a saída de Vanessa, que se muda para Lisboa, e a entrada de José Stark (Duques do Precariado). Em 2023, depois de alguns concertos do EP — e quando começavam a imaginar o LP que sairá este ano, baixa psiquiátrica — Rui Fonseca sai do projeto e Luís Barreto (MonchMonch, OTDA) assume o baixo. Sempre sediados no Porto e mantendo o Brasília como espaço de ensaio, os bcc funcionam em flutuação com trabalhos a tempo inteiro, agendas freelance e as nuances de uma criação coletiva sem forma imposta, mutável. Desde 2022, apresentam-se um pouco por todo o país, em festivais, salas e eventos de benefício (Zigur Fest, ZDB, Clube B.leza, Damas, Maus Hábitos, Musicbox, SHE, CAAA Guimarães, Mavy, CAEP, RUM, entre outros).
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