Realizado por Bernard Rose a partir de um conto de Clive Barker, Candyman emerge como uma das obras mais singulares do terror norte-americano dos anos 90, cruzando o horror sobrenatural com uma reflexão incisiva sobre memória, classe e violência racial.
A história segue Helen Lyle, uma estudante de sociologia em Chicago, que investiga uma lenda urbana associada a um antigo complexo habitacional marcado pelo abandono e pela segregação. À medida que o seu trabalho académico se aprofunda, o mito do Candyman deixa de ser apenas um objecto de estudo e começa a infiltrar-se de forma perturbadora na sua própria realidade.
Longe do susto fácil, o filme constrói uma atmosfera densa e melancólica, onde o terror surge das feridas sociais nunca cicatrizadas. A banda sonora hipnótica de Philip Glass e a recusa de narrativas simplistas transformam o filme num conto trágico sobre a persistência dos mitos e sobre aquilo que uma sociedade escolhe recordar, ou esquecer.
Três décadas depois, Candyman mantém intacta a sua força inquietante, afirmando-se como um clássico moderno que continua a interpelar o presente com uma lucidez assustadora.