Em 2025, Idalécio regressa à Cruzes Canhoto com "Calendas", uma exposição onde se podem apreciar cinco dezenas de esculturas que o artista criou no período pós-pandemia e 31 pinturas realizadas no verso de antigos calendários da fábrica de metalurgia onde trabalhou a maior parte da sua vida. Em ambos os casos, é patente a vertente mais intuitiva e primitiva do artista. Os calendários foram usados para limpar os pincéis das pinturas mais sérias, mas acabaram por servir como receptáculo de ideias e experimentações em estado bruto. No caso das esculturas, o artista usou apenas como ferramentas um machado, uma serra de lenhador, um martelo e tinta spray, o que lhes confere um aspecto cru e rudimentar, mas ao mesmo tempo inocente e pitoresco.
Nas Calendas, situamo-nos no contexto da história universal de tudo o que foi criado, ao mesmo tempo que algo de novo, misterioso se anuncia. Que ainda terá para nos revelar no futuro este criador visionário de 73 anos?