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Arianna Casellas e Kauê na Piscina
Arianna Casellas e Kauê
Concertos na Piscina x Musa
Arianna Casellas e Kauê na Piscina
Qual o som da urgência? O ranger dos dentes, o tamborilar dos dedos, o grito vindo do diafragma? Se diz respeito ao coletivo, corpo a corpo, impõe-se alarme maior: tocam os sinos. A véspera já passou: agora mesmo, Suenan las campanas, pelas almas de Arianna Casellas e Kauê Gindri.

Transpor essa urgência para a música não é vulgarizá-la: é reconhecer o som que lhe é intrínseco. Os sinos são ora literais – como na faixa-título (uma “massa percussiva gigante que há-de engolir quem escuta”, brinca Arianna) – ora desenhados em onomatopeias, como em “Nada Pes”. “É essa urgência de uma força que a gente tem dentro, e tem que botar para fora”, sintetiza Kauê. Sabe-o quem já testemunhou a dupla em concerto: uma hora do conto levado ao limite, as fábulas da tradição vertidas no quotidiano imprevisível, descarnadas até ao osso.

No seu primeiro álbum enquanto Arianna Casellas y Kauê (formam também o projeto Montes, num plano paralelo de existência), gravado em duas sessões entre Trás-os-Montes e Lisboa, não se domesticam. Não adocicam o canto nem a forma de tocar, dos dedilhados de cuatro aos polirritmos de quitiplás (instrumento da costa norte da Venezuela, feito de paus de bambu). E se a oralidade permanece a força motriz, não significa que não seja repensada. Suenan las campanas tem na mira as “falsas memórias”, os mitos perpetuados de geração em geração, sobre “como estamos no mundo e no coração de cada um. Falo de mim”, esclarece Arianna, “mas o que vale para mim vale para todos também.”

“Lanza” escorre essa reflexão num jorro: quanta ficção dilui a verdade nas nossas histórias, “para manter a fantasia da vida, construindo o que se pode chamar de tradição”? Essa pergunta permeia também a nostalgia de “Mil Años, Madre”, memória salvífica mas embaciada com o uso. Suenan las campanas sacode os dogmas vendidos como cristais e não compactua com o folclore de recuerdo. “As músicas sempre surgem daquilo que temos dentro de nós. Nunca são pensadas para serem determinado género ou ritmo, ou para pegar o que é mais reconhecível e pitoresco.” Adjetivos que seriam incompatíveis com a natureza desta música: espontânea, táctil, vertiginosa.
07
Jul
2026-07-07T20:00:00Z
2026-07-07T21:00:00Z
RCA - Radioclube Agramonte / Espaço Agra
20:00

+Cal

Gratuito

16+
R. João Martins Branco, 180

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Arianna Casellas e Kauê na Piscina
Gratuito
Concerto
Qual o som da urgência? O ranger dos dentes, o tamborilar dos dedos, o grito vindo do diafragma? Se diz respeito ao coletivo, corpo a corpo, impõe-se alarme maior: tocam os sinos. A véspera já passou: agora mesmo, Suenan las campanas, pelas almas de Arianna Casellas e Kauê Gindri.

Transpor essa urgência para a música não é vulgarizá-la: é reconhecer o som que lhe é intrínseco. Os sinos são ora literais – como na faixa-título (uma “massa percussiva gigante que há-de engolir quem escuta”, brinca Arianna) – ora desenhados em onomatopeias, como em “Nada Pes”. “É essa urgência de uma força que a gente tem dentro, e tem que botar para fora”, sintetiza Kauê. Sabe-o quem já testemunhou a dupla em concerto: uma hora do conto levado ao limite, as fábulas da tradição vertidas no quotidiano imprevisível, descarnadas até ao osso.

No seu primeiro álbum enquanto Arianna Casellas y Kauê (formam também o projeto Montes, num plano paralelo de existência), gravado em duas sessões entre Trás-os-Montes e Lisboa, não se domesticam. Não adocicam o canto nem a forma de tocar, dos dedilhados de cuatro aos polirritmos de quitiplás (instrumento da costa norte da Venezuela, feito de paus de bambu). E se a oralidade permanece a força motriz, não significa que não seja repensada. Suenan las campanas tem na mira as “falsas memórias”, os mitos perpetuados de geração em geração, sobre “como estamos no mundo e no coração de cada um. Falo de mim”, esclarece Arianna, “mas o que vale para mim vale para todos também.”

“Lanza” escorre essa reflexão num jorro: quanta ficção dilui a verdade nas nossas histórias, “para manter a fantasia da vida, construindo o que se pode chamar de tradição”? Essa pergunta permeia também a nostalgia de “Mil Años, Madre”, memória salvífica mas embaciada com o uso. Suenan las campanas sacode os dogmas vendidos como cristais e não compactua com o folclore de recuerdo. “As músicas sempre surgem daquilo que temos dentro de nós. Nunca são pensadas para serem determinado género ou ritmo, ou para pegar o que é mais reconhecível e pitoresco.” Adjetivos que seriam incompatíveis com a natureza desta música: espontânea, táctil, vertiginosa.

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