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"MARIA", de Maria Abranches
"Maria", de Maria Abranches
Exposição vencedora do World Press Photo 2025
"MARIA", de Maria Abranches

A exposição “MARIA”, da autoria da fotógrafa documental e fotojornalista portuguesa Maria Abranches, distinguida com o World Press Photo Award 2025 (categoria Europe, Stories) e o Cortona On The Move Award 2024, está patente na Fujifilm House of Photography até ao final de junho.

“MARIA” é um ensaio fotográfico documental que acompanha a vida de Ana Maria Jeremias, uma mulher angolana cuja história reflete a de tantas outras que, de forma silenciosa, constroem, transformam e sustentam o mundo.

Nascida Utima, que em umbundu significa “coração”, Ana Maria deixou Angola aos 9 anos, sob a promessa de uma educação que nunca se concretizou. Foi trazida para Portugal por uma família que falsificou a autorização do seu pai, num caso que, à luz do conhecimento atual, pode ser considerado tráfico de pessoas. Já em Portugal, recebeu um novo nome e um novo ano de nascimento, tendo iniciado um percurso de vida marcado pelo trabalho doméstico e por profundas desigualdades estruturais.

Ao longo de mais de quatro décadas, trabalhou a cuidar de casas e famílias, aprendendo a ler ao lado das crianças de quem cuidava. Após conquistar a sua independência, viveu na Pedreira dos Húngaros, nos arredores de Lisboa, tendo mais tarde conseguido adquirir casa própria em Rio de Mouro. Após trinta anos, Ana Maria reuniu-se finalmente com a família.

Inspirado nas questões levantadas pela escritora e ativista Françoise Vergès - “Quem limpa o mundo?” e “Porque esse trabalho tem um perfil de raça e género?” - “MARIA” assume-se como um diário visual que procura resgatar a memória e a identidade de uma mulher racializada, cuja vida foi moldada pelas heranças do colonialismo e pelas desigualdades sociais em Portugal.

O projeto propõe também uma reflexão crítica sobre o privilégio da classe média, que depende do trabalho invisível de mulheres como Ana Maria para sustentar o seu quotidiano, sendo simultaneamente uma homenagem às inúmeras vidas silenciadas pela narrativa dominante.

Maria Abranches (Lisboa, 1991) é fotógrafa documental e fotojornalista independente. Formada inicialmente em arquitetura, estudou fotografia no Ar.Co e estagiou no jornal Público. O seu trabalho centra-se em questões de direitos humanos, com particular foco em temas como o colonialismo, o racismo e as desigualdades de género.

Tem colaborado com instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian e a agência Reuters, e o seu trabalho foi publicado em meios internacionais como The Guardian, The Washington Post, BBC, CNN, Libération, Le Monde e Folha de S. Paulo.

Entrada livre

21
Mar
30
Jun
2026-03-21T16:00:00Z
2026-06-30T19:00:00Z
FUJIFILM House of Photography

Gratuito

Rua de Sá da Bandeira, 289

Mais info

"MARIA", de Maria Abranches
Gratuito
Exposição

A exposição “MARIA”, da autoria da fotógrafa documental e fotojornalista portuguesa Maria Abranches, distinguida com o World Press Photo Award 2025 (categoria Europe, Stories) e o Cortona On The Move Award 2024, está patente na Fujifilm House of Photography até ao final de junho.

“MARIA” é um ensaio fotográfico documental que acompanha a vida de Ana Maria Jeremias, uma mulher angolana cuja história reflete a de tantas outras que, de forma silenciosa, constroem, transformam e sustentam o mundo.

Nascida Utima, que em umbundu significa “coração”, Ana Maria deixou Angola aos 9 anos, sob a promessa de uma educação que nunca se concretizou. Foi trazida para Portugal por uma família que falsificou a autorização do seu pai, num caso que, à luz do conhecimento atual, pode ser considerado tráfico de pessoas. Já em Portugal, recebeu um novo nome e um novo ano de nascimento, tendo iniciado um percurso de vida marcado pelo trabalho doméstico e por profundas desigualdades estruturais.

Ao longo de mais de quatro décadas, trabalhou a cuidar de casas e famílias, aprendendo a ler ao lado das crianças de quem cuidava. Após conquistar a sua independência, viveu na Pedreira dos Húngaros, nos arredores de Lisboa, tendo mais tarde conseguido adquirir casa própria em Rio de Mouro. Após trinta anos, Ana Maria reuniu-se finalmente com a família.

Inspirado nas questões levantadas pela escritora e ativista Françoise Vergès - “Quem limpa o mundo?” e “Porque esse trabalho tem um perfil de raça e género?” - “MARIA” assume-se como um diário visual que procura resgatar a memória e a identidade de uma mulher racializada, cuja vida foi moldada pelas heranças do colonialismo e pelas desigualdades sociais em Portugal.

O projeto propõe também uma reflexão crítica sobre o privilégio da classe média, que depende do trabalho invisível de mulheres como Ana Maria para sustentar o seu quotidiano, sendo simultaneamente uma homenagem às inúmeras vidas silenciadas pela narrativa dominante.

Maria Abranches (Lisboa, 1991) é fotógrafa documental e fotojornalista independente. Formada inicialmente em arquitetura, estudou fotografia no Ar.Co e estagiou no jornal Público. O seu trabalho centra-se em questões de direitos humanos, com particular foco em temas como o colonialismo, o racismo e as desigualdades de género.

Tem colaborado com instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian e a agência Reuters, e o seu trabalho foi publicado em meios internacionais como The Guardian, The Washington Post, BBC, CNN, Libération, Le Monde e Folha de S. Paulo.

Entrada livre

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