Antes de criar o seu som, Júlia Costa criou a sua estética. Aos 14 anos começou a confeccionar a própria roupa com a ajuda da mãe, que era costureira. E fazia-o de uma forma bastante particular, sem desenhar nem fazer moldes: visualizava as peças e cortava diretamente no tecido. Pouco depois, as colegas da escola começaram a comprá-las até que, três anos volvidos, Júlia investiu os 700 reais do seu último trabalho na criação da sua própria marca: AJULIACOSTA$HOP.
A música já lá estava. Escrevia letras desde os 12 anos, frequentava as battles de rimas do centro da sua cidade, Mogi das Cruzes, e chegou mesmo a fazer parte do coletivo Mistura de Fatos, mas a sua carreira musical demoraria vários anos a arrancar. Curiosamente, foi a moda que a levou de volta ao rap: as entregas e sessões fotográficas em São Paulo aproximaram-na da cena hip-hop da capital estadual, até regressar definitivamente como AJULLIACOSTA com Mina Chavosa.
Desde então, AJULLIACOSTA fez do boom bap e do trap pontos de partida, mais do que lugares onde ficar. Em Novo Testamento, o seu segundo álbum, publicado em 2025, as rimas mais afiadas convivem com a introspecção para falar de amor, fé, ambição e identidade. Em 2026, lançou Nasci Pra Ser, uma canção criada especialmente para a sua estreia na COLORS e a sua primeira incursão no drum and bass.
Desde cortar directamente no tecido a experimentar novos sons sem se prender a um molde: AJULLIACOSTA estará no Porto dia 19 de setembro para um concerto no Mouco.