A exposição da marca dos dentes na língua, de Afonso António, integra o Programa Jovens Criadores da Árvore - Cooperativa de Atividades Artísticas e reúne um conjunto de obras que emergem no território ambíguo entre o desenho e a pintura como fragmentos de vivências pessoais filtradas pelo imaginário do subconsciente. Inaugura no dia 7 de março, às 16h, na Árvore, no Porto, e estará patente até 28 de março.
O subconsciente é matéria ativa que torna visíveis memórias, medos e impulsos, separando-se imageticamente do autor através do gesto artístico. A exteriorização destas imagens sugere um processo de dessensibilização e, simultaneamente, um ritual de absolvição perante o conflito interno.
O título da exposição atravessa toda a série como uma metáfora física e emocional: cada obra é entendida como cicatriz simbólica resultado de um gesto de contenção de trancar o maxilar, de controlar aquilo que não pode ou não deve ser dito.
Entre repressão e revelação, Afonso António confronta-nos com os mecanismos silenciosos que utilizamos para sobreviver.
Lançado em 2024, o programa Jovens Criadores na Árvore (JCA) é um concurso dirigido a artistas plásticos, para a submissão de propostas de exposições individuais. O propósito central do JCA é apoiar o desenvolvimento da carreira de novos criadores, proporcionando-lhes condições e visibilidade para concretizarem, muitas vezes pela primeira vez, uma exposição individual em contexto profissional. Com este programa, a Cooperativa Árvore tem reforçado o seu compromisso com a promoção da arte contemporânea, a experimentação criativa e a renovação do tecido artístico, criando oportunidades concretas para que jovens artistas emergentes ganhem projeção, consolidem o seu trabalho e se afirmem junto do público e do meio cultural.
Biografia:
Afonso António (Porto, 2004) frequenta atualmente a licenciatura em Artes Plásticas – Pintura na FBAUP, complementando a sua formação com estudos na Accademia di Belle Arti di Bologna, em regime de mobilidade. Tem participado em diversos concursos e exposições, tendo sido distinguido com o Prémio Jovens Talentos Luso-Galaicos, atribuído na XV Bienal de Pintura do Eixo Atlântico, em 2025. Embora experimente diferentes técnicas, é através da pintura e do desenho que desenvolve o núcleo da sua investigação artística.