Sentam-se, finalmente, à mesa que sempre prepararam.
É Páscoa. O folar está pronto, o compasso a caminho, a casa impecável, como manda a tradição.
Há regras que não precisam de ser ditas: servir primeiro, comer depois. Já as viram nas avós.
São mulheres de sal e lume, treinadas para fazer tudo acontecer sem nunca sair do lugar. Para estar, sem estar. Para servir, sem provar.
Mas a tradição mudou. Ou foram elas.
Sentam-se. Provam antes de servir. Bebem sem pedir. Ficam.
Não por distração, mas por decisão.
Como quem percebe que esteve sempre no sítio errado.
Como quem já não cabe no papel que aprendeu tão bem.
A tradição mantém-se ou transforma-se?
Matriarcas do seu paladar. Portuguesas de gema. Donas do seu apetite.