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A mão esquerda das trevas de Isabel Carvalho
A mão esquerda das trevas, de Isabel Carvalho
Painéis cerâmicos produzidos predominantemente com esmaltes artesanais
A mão esquerda das trevas de Isabel Carvalho
Em a mão esquerda das trevas, Isabel Carvalho apresenta painéis cerâmicos produzidos predominantemente com esmaltes artesanais, cujas receitas incorporam cinzas recolhidas de incêndios na região do Douro, deflagrados durante o Verão de 2025. As cinzas são remanescentes de diferentes espécies de árvores (pinheiro, eucalipto e carvalho), de lixos e excrementos de animais de pastagem, mas provêm sobretudo de arbustos e ervas rasteiras, entre elas gramíneas e urze — plantas frequentemente subestimadas e tidas como indesejáveis por serem altamente inflamáveis, agindo como combustível nos incêndios e muitas vezes associadas à ausência de cuidado na gestão dos terrenos. Porém, estas mesmas plantas são repositórios de memórias antigas; fizeram parte de receitas usadas em práticas de autocuidado e estiveram integradas em saberes de saúde e bem-estar. A negligência e o esquecimento dos seus usos ancestrais revelam como estas espécies desafiam hierarquias históricas do conhecimento e modos de existir em vias de desaparecimento.

O título provém do livro homónimo de Ursula K. Le Guin, que ressoa neste trabalho desde logo porque, devido a um impedimento temporário da mão direita e sob o efeito de sedativos, os desenhos foram realizados integralmente com a mão esquerda durante o período de recolha das cinzas. Esta condição abriu espaço a novas configurações do imaginário, mobilizando diferentes áreas do cérebro e alicerçando um conjunto de gestos ainda não experimentados, porventura mais sensíveis e intuitivos, com uma energia distinta da mão direita.

Exposição com o apoio do programa Criatório da Ágora – Cultura e Desporto do Porto, E.M., S.A.

Biografia
Isabel Carvalho (Porto, 1977). O seu percurso artístico caracteriza-se por uma forte componente experimental, sustentada na investigação, sobretudo nos domínios da filosofia e da literatura, expandindo-se para os campos político e social. O seu trabalho cruza artes visuais, escrita, edição e publicação de livros, sendo marcado por uma sensibilidade ética, enraizada em questões de ecologia, género e relação entre espécies.

Entre as suas exposições individuais mais recentes, destacam-se: Editoria Errância, na Culturgest (2024, Lisboa); Mimológica, na Galeria Quadrado Azul (2025, Lisboa); Casting a Sounding Voice, no CAAA — Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitetura (2023, Guimarães); Museu Mineiro, na Galeria Quadrado Azul (2022, Porto); e Langages Tissés, no Centre d’Art Le Lait (2021, Albi, França). Participou ainda, em contexto coletivo, em diversas exposições, das quais se destacam: Da desigualdade constante dos dias de Leonor, no Centro de Arte Moderna – CAM (2024, Lisboa); Derivas e Criaturas, na Galeria Municipal (2023, Porto); e Strange Attractor, no Pavilhão Branco (2021, Lisboa).

Realizou residências artísticas internacionais no PAN (Paris), NTU Centre for Contemporary Art Singapore (Singapura), Künstlerhaus Bethanien (Berlim, Alemanha) e Maaretta Jaukkuri Foundation (Lofoten, Noruega). Em Portugal, participou, entre outras, nos Encontros da Primavera (Picote), Performing the Archive (Porto) e na OSSO (São Gregório).

Em 2017, fundou e passou a editar a revista transdisciplinar Leonorana.
É membro fundador e presidente da EARTHSEA — Associação Cultural dedicada à promoção e disseminação da investigação artística interdisciplinar, com enfoque na interseção entre ecologia e tecnologia.
07
Mar
25
Abr
2026-03-07T17:00:00Z
2026-04-25T20:00:00Z
Clube de Desenho

de quarta a sexta | 14:30 – 19:00
sábado | 10:30 – 18:00

Gratuito

R. da Alegria, 970

Mais info

A mão esquerda das trevas de Isabel Carvalho
Gratuito
Exposição
Em a mão esquerda das trevas, Isabel Carvalho apresenta painéis cerâmicos produzidos predominantemente com esmaltes artesanais, cujas receitas incorporam cinzas recolhidas de incêndios na região do Douro, deflagrados durante o Verão de 2025. As cinzas são remanescentes de diferentes espécies de árvores (pinheiro, eucalipto e carvalho), de lixos e excrementos de animais de pastagem, mas provêm sobretudo de arbustos e ervas rasteiras, entre elas gramíneas e urze — plantas frequentemente subestimadas e tidas como indesejáveis por serem altamente inflamáveis, agindo como combustível nos incêndios e muitas vezes associadas à ausência de cuidado na gestão dos terrenos. Porém, estas mesmas plantas são repositórios de memórias antigas; fizeram parte de receitas usadas em práticas de autocuidado e estiveram integradas em saberes de saúde e bem-estar. A negligência e o esquecimento dos seus usos ancestrais revelam como estas espécies desafiam hierarquias históricas do conhecimento e modos de existir em vias de desaparecimento.

O título provém do livro homónimo de Ursula K. Le Guin, que ressoa neste trabalho desde logo porque, devido a um impedimento temporário da mão direita e sob o efeito de sedativos, os desenhos foram realizados integralmente com a mão esquerda durante o período de recolha das cinzas. Esta condição abriu espaço a novas configurações do imaginário, mobilizando diferentes áreas do cérebro e alicerçando um conjunto de gestos ainda não experimentados, porventura mais sensíveis e intuitivos, com uma energia distinta da mão direita.

Exposição com o apoio do programa Criatório da Ágora – Cultura e Desporto do Porto, E.M., S.A.

Biografia
Isabel Carvalho (Porto, 1977). O seu percurso artístico caracteriza-se por uma forte componente experimental, sustentada na investigação, sobretudo nos domínios da filosofia e da literatura, expandindo-se para os campos político e social. O seu trabalho cruza artes visuais, escrita, edição e publicação de livros, sendo marcado por uma sensibilidade ética, enraizada em questões de ecologia, género e relação entre espécies.

Entre as suas exposições individuais mais recentes, destacam-se: Editoria Errância, na Culturgest (2024, Lisboa); Mimológica, na Galeria Quadrado Azul (2025, Lisboa); Casting a Sounding Voice, no CAAA — Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitetura (2023, Guimarães); Museu Mineiro, na Galeria Quadrado Azul (2022, Porto); e Langages Tissés, no Centre d’Art Le Lait (2021, Albi, França). Participou ainda, em contexto coletivo, em diversas exposições, das quais se destacam: Da desigualdade constante dos dias de Leonor, no Centro de Arte Moderna – CAM (2024, Lisboa); Derivas e Criaturas, na Galeria Municipal (2023, Porto); e Strange Attractor, no Pavilhão Branco (2021, Lisboa).

Realizou residências artísticas internacionais no PAN (Paris), NTU Centre for Contemporary Art Singapore (Singapura), Künstlerhaus Bethanien (Berlim, Alemanha) e Maaretta Jaukkuri Foundation (Lofoten, Noruega). Em Portugal, participou, entre outras, nos Encontros da Primavera (Picote), Performing the Archive (Porto) e na OSSO (São Gregório).

Em 2017, fundou e passou a editar a revista transdisciplinar Leonorana.
É membro fundador e presidente da EARTHSEA — Associação Cultural dedicada à promoção e disseminação da investigação artística interdisciplinar, com enfoque na interseção entre ecologia e tecnologia.

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