“O poema está só./ E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.” Num concerto acústico especial no interior da cenografia de Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem, A Garota Não canta as canções que escreveu para o espetáculo e outras composições dos seus três discos. Um dos nomes mais vibrantes da música popular portuguesa contemporânea, voz que, em contracorrente, respiga o passado e a memória para melhor cantar o presente, está em casa no universo de Manuel António Pina. Nas suas canções, as palavras (sopesadas) e a música (acolhendo sonoridades várias) querem dar a ouver o avesso da existência, como nestes versos de Pina: “A música tem olhos fulgurantes/ movendo-se à volta do fogo./ Se és visto por eles tornas-te canto,/ tu que és, como tudo é, canto.”