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[Serralves] - ONCEIM PLAYS STEPHEN O'MALLEY / FRANÇOIS J. BONNET
Gruidés, de Stephen O'Malley, e Orbes, de François J. Bonnet
Obras interpretadas pela orquestra Onceim
[Serralves] - ONCEIM PLAYS STEPHEN O'MALLEY / FRANÇOIS J. BONNET

Desde a sua fundação há quinze anos, a Onceim (Orchestra of New Creations, Experimentations and Improvised Music) acompanha artistas e compositores de hoje na criação de novas paisagens sonoras e de novas formas de as habitar em conjunto. Orientados por um modo de funcionamento profundamente coletivo, trinta e cinco músicos de excelência envolvem-se em diálogos e processos de trabalho sempre renovados, repensando continuamente a relação com a escuta e com a partitura. Laboratório e caixa de ferramentas em simultâneo, a Onceim é um espaço de troca, conversa e exploração, onde a escrita e a improvisação respondem constantemente uma à outra.


STEPHEN O’MALLEY "GRUIDÉS" (2014), 35’
No início de 2014, O’Malley foi convidado pelo pianista e compositor Frédéric Blondy a escrever uma obra para a orquestra ONCEIM. Compreensivelmente intimidado perante a perspetiva, mas encorajado a encarar o desafio com uma atitude «simplesmente punk rock», o compositor de talento excecional concebeu uma peça de drone de longa duração, tecnicamente exigente — pelo menos para os músicos — e profundamente gratificante, centrada na experimentação harmónica e no estudo dos harmónicos.

Ao longo dos seus 35 minutos, Gruidés exige que os músicos sustentem as notas durante vários minutos (o que já é suficientemente difícil para as cordas e constitui um verdadeiro feito de resistência para os instrumentos de sopro), produzindo espectros de dissonância mutável, rasgados por clusters de sons deslizantes e geometrias luminosas, pontuados por uma percussão de impacto fulminante semelhante à utilizada na colaboração de sunn o))) com Scott Walker em 2014.

FRANÇOIS J. BONNET "ORBES" (2025), 40’
Orbes é uma obra concebida como uma sucessão de um número finito de elementos indivisíveis, designados por «orbes». Cada orbe pode ser abordado como um conjunto que forma uma sequência ou uma parte da obra, mas também como algo que existe «por si», de forma autónoma, como um «momento» ou uma trajetória. A peça assume a forma de um desenrolar contínuo no espaço interpolar dos orbes, avançando gradualmente de um para o outro. A ordem de passagem pelos orbes não é fixa, nem é previamente determinada pelo compositor. A escolha é deixada ao maestro, que determina a sequência dos orbes em cada apresentação. Cada vez que a peça é executada segundo uma determinada sequência, essa sequência é registada e nunca mais poderá ser utilizada. Até à data, o projeto da obra prevê a construção de 7 orbes diferentes, abrindo a possibilidade de 5040 combinações distintas. Orbes é inspirada em Paraíso Perdido, de Milton. Neste poema épico, Satanás ergue-se do Inferno e do caos primordial para se vingar e corromper a humanidade nascente. Na sua viagem, atravessa um universo quase abstrato, um espaço diurno constituído por orbes (planetas) em torno dos quais gravita. É este contraste entre uma abóbada celeste apenas esboçada, um universo delineado em traços essenciais, e uma vontade transformadora — a do demónio vingativo — que serve de primum movens da obra.

29
Nov
2026-11-29T18:30:00Z
2026-11-29T20:30:00Z
Serralves
18:30

+Cal

9–13€
Auditório do Museu

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[Serralves] - ONCEIM PLAYS STEPHEN O'MALLEY / FRANÇOIS J. BONNET
Concerto

Desde a sua fundação há quinze anos, a Onceim (Orchestra of New Creations, Experimentations and Improvised Music) acompanha artistas e compositores de hoje na criação de novas paisagens sonoras e de novas formas de as habitar em conjunto. Orientados por um modo de funcionamento profundamente coletivo, trinta e cinco músicos de excelência envolvem-se em diálogos e processos de trabalho sempre renovados, repensando continuamente a relação com a escuta e com a partitura. Laboratório e caixa de ferramentas em simultâneo, a Onceim é um espaço de troca, conversa e exploração, onde a escrita e a improvisação respondem constantemente uma à outra.


STEPHEN O’MALLEY "GRUIDÉS" (2014), 35’
No início de 2014, O’Malley foi convidado pelo pianista e compositor Frédéric Blondy a escrever uma obra para a orquestra ONCEIM. Compreensivelmente intimidado perante a perspetiva, mas encorajado a encarar o desafio com uma atitude «simplesmente punk rock», o compositor de talento excecional concebeu uma peça de drone de longa duração, tecnicamente exigente — pelo menos para os músicos — e profundamente gratificante, centrada na experimentação harmónica e no estudo dos harmónicos.

Ao longo dos seus 35 minutos, Gruidés exige que os músicos sustentem as notas durante vários minutos (o que já é suficientemente difícil para as cordas e constitui um verdadeiro feito de resistência para os instrumentos de sopro), produzindo espectros de dissonância mutável, rasgados por clusters de sons deslizantes e geometrias luminosas, pontuados por uma percussão de impacto fulminante semelhante à utilizada na colaboração de sunn o))) com Scott Walker em 2014.

FRANÇOIS J. BONNET "ORBES" (2025), 40’
Orbes é uma obra concebida como uma sucessão de um número finito de elementos indivisíveis, designados por «orbes». Cada orbe pode ser abordado como um conjunto que forma uma sequência ou uma parte da obra, mas também como algo que existe «por si», de forma autónoma, como um «momento» ou uma trajetória. A peça assume a forma de um desenrolar contínuo no espaço interpolar dos orbes, avançando gradualmente de um para o outro. A ordem de passagem pelos orbes não é fixa, nem é previamente determinada pelo compositor. A escolha é deixada ao maestro, que determina a sequência dos orbes em cada apresentação. Cada vez que a peça é executada segundo uma determinada sequência, essa sequência é registada e nunca mais poderá ser utilizada. Até à data, o projeto da obra prevê a construção de 7 orbes diferentes, abrindo a possibilidade de 5040 combinações distintas. Orbes é inspirada em Paraíso Perdido, de Milton. Neste poema épico, Satanás ergue-se do Inferno e do caos primordial para se vingar e corromper a humanidade nascente. Na sua viagem, atravessa um universo quase abstrato, um espaço diurno constituído por orbes (planetas) em torno dos quais gravita. É este contraste entre uma abóbada celeste apenas esboçada, um universo delineado em traços essenciais, e uma vontade transformadora — a do demónio vingativo — que serve de primum movens da obra.

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